BC liquida Reag após buscas da PF contra fundador
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

BC liquida Reag após buscas da PF contra fundador

Medida ocorre um dia após operação da Polícia Federal; encontro entre cúpulas do BC e da PF reforça articulação institucional

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Por Redação

O Banco Central decretou hoje (15) a liquidação extrajudicial da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, um dia após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão contra o fundador da gestora, João Carlos Mansur, no âmbito da Operação Compliance Zero.

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No mesmo dia das buscas, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, reuniu-se com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, na sede da autoridade monetária, em Brasília. As instituições não detalharam a pauta do encontro. Em publicação nas redes sociais, a PF informou que a reunião reforçou a cooperação e a integração entre os órgãos.

Em nota oficial, o Banco Central justificou a liquidação ao apontar “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional”. O órgão informou ainda que seguirá adotando medidas para apurar responsabilidades, com possibilidade de sanções administrativas e comunicação a outras autoridades. Conforme a legislação, os bens dos controladores e ex-administradores ficam indisponíveis durante o processo.

A decisão atinge a Reag Trust DTVM, responsável pela administração fiduciária e gestão de fundos do grupo Reag Investimentos. Os fundos vinculados à empresa continuam existindo, mas deverão ser transferidos para outras instituições habilitadas.

Elo com o caso Master

O Banco Central informou ao Tribunal de Contas da União que fundos administrados pela Reag estruturaram operações irregulares com o Banco Master entre julho de 2023 e julho de 2024. Segundo o relatório, houve descumprimento de normas do sistema financeiro, com falhas graves de gestão de risco, crédito e liquidez.

A Reag também entrou no radar da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de emissão de títulos de crédito falsos e outras irregularidades envolvendo o Banco Master. Nesta segunda fase da operação, a PF cumpriu mandados contra Mansur, além de ações em endereços ligados ao controlador do Master e a outros investigados.

Operação Carbono Oculto

Antes disso, a Reag já havia sido citada na Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 para investigar um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, atribuído ao Primeiro Comando da Capital. Segundo o Ministério Público de São Paulo, fundos administrados pela gestora teriam sido usados para ocultar patrimônio e movimentar recursos de origem ilícita.

Na ocasião, Mansur foi alvo de buscas em seu escritório, na Avenida Faria Lima, e em sua residência. A investigação apontou prejuízos bilionários em sonegação de tributos e movimentações financeiras incompatíveis com atividades regulares.

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Histórico da Reag

Fundada por Mansur, a Reag Investimentos chegou a figurar entre as maiores gestoras independentes do país, com centenas de fundos sob administração e atuação relevante no mercado financeiro. Mansur deixou o comando da empresa em 2025, após vender o controle a executivos internos.

Procurada, a Reag não se manifestou sobre a liquidação até o fechamento deste texto. Em comunicados anteriores, a holding afirmou atuar em conformidade com a legislação e disse colaborar com as autoridades.

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