O empresário Nelson Tanure tornou-se alvo da segunda fase da operação da Polícia Federal que investiga irregularidades no Banco Master. As apurações se concentram em aportes de R$ 2,5 bilhões realizados por fundos ligados a Tanure no banco controlado por Daniel Vorcaro, segundo apuração do O Globo.
Investigadores analisam se os recursos foram injetados por meio da compra de debêntures da Banvox, estrutura que, na prática, poderia ter transferido o controle do banco ao empresário de forma indireta. Os documentos que embasam a apuração são públicos e constam na Junta Comercial de São Paulo.
Desde 2020, os fundos ligados a Tanure adquiriram debêntures da Banvox, empresa de participações cujo único ativo era o Banco Master. Esse tipo de título permite a conversão da dívida em ações, o que, segundo a PF, pode ter dado ao empresário o controle da holding e, por consequência, do banco.
No período, o Master passou a adquirir participações em empresas nas quais Tanure tem interesse direto ou indireto, como Oncoclínicas, Alliança e Ambipar. A PF apura se a estrutura foi usada para inflar o patrimônio do banco e ampliar sua capacidade de captação no mercado.
As investigações indicam que, com o aumento artificial do capital, o Master passou a emitir mais CDBs. Os recursos captados teriam sido usados para novas aquisições de ativos ligados ao grupo do empresário. Em ao menos um caso, a Ambipar, há apuração sobre possível desvio de recursos do caixa para investimentos em empresas do mesmo controlador.
O primeiro grande aporte ocorreu em dezembro de 2022, quando o banco tinha patrimônio estimado em R$ 600 milhões. Na ocasião, a Banvox emitiu R$ 700 milhões em debêntures compradas por fundos ligados a Tanure, o que, segundo os investigadores, já colocava o empresário em posição de influência relevante sobre a instituição.
Em agosto de 2024, a Banvox passou por uma cisão. O então sócio Maurício Quadrado deixou a empresa, que passou a ser controlada integralmente por uma holding de Vorcaro. O laudo da operação indicou que a Banvox detinha 22% do Master, participação avaliada em R$ 2,5 bilhões.
A discrepância chamou a atenção dos investigadores. Meses depois, em março de 2025, o Banco de Brasília apresentou proposta para comprar 58% do Master por R$ 2 bilhões, avaliação que colocaria o valor total do banco em cerca de R$ 3,4 bilhões.
Com base nesses números, a PF avalia que os aportes feitos por fundos ligados a Tanure poderiam representar mais da metade do capital do Master. O objetivo da investigação é esclarecer quem exercia o controle efetivo da instituição e identificar os responsáveis finais pelas irregularidades apuradas.
