Navio-hospital chinês no Rio é questionado por Conselho de Medicina - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Navio-hospital chinês no Rio é questionado por Conselho de Medicina

CREMERJ pede esclarecimentos sobre possível atendimento médico em embarcação estrangeira atracada no Píer Mauá

Navio-hospital chinês atraca no Rio, e CREMERJ cobra explicações sobre serviços médicos e autorizações no Brasil
Secretária de Estado de Saúde recebe comandante do navio-hospital da China atracado no porto do Rio Janeiro. Foto: Estado do RJ/ janeiro de 2026

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Por Redação

Um navio-hospital da China atracado no Rio de Janeiro passou a ser alvo de questionamentos do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) sobre os serviços prestados a bordo, segundo apuração da Gazeta. Segundo publicação oficial da Embaixada da China no Brasil, a embarcação realiza “intercâmbio de conhecimentos, treinamentos conjuntos e atividades culturais”.

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O conselho informou que oficiou, na segunda-feira (12), a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) para esclarecer se há oferta de atendimento médico à população durante a permanência do navio, identificado como Silk Road Ark, no Píer Mauá. A embarcação permanece no estado até quinta-feira (15).

O CREMERJ estabeleceu prazo de 72 horas para resposta. O pedido tem como base a Lei nº 3.268/1957 e normas do Conselho Federal de Medicina, que determinam fiscalização de atos médicos realizados no país, inclusive em missões humanitárias, acordos de cooperação internacional ou ações diplomáticas.

No ofício, o conselho questiona se há serviços médicos, quem seria o público atendido, se existe autorização formal das autoridades brasileiras e se profissionais estrangeiros estão habilitados para atuar no Brasil. Também solicita informações sobre o cumprimento da Resolução CFM nº 2.216/2018, que exige registro, ainda que temporário, de médicos estrangeiros em conselhos regionais e a indicação de responsável técnico inscrito no CRM.

Em resposta, a Secretaria de Saúde do estado informou que “não está sendo realizado atendimento médico no navio” e que a visita tem “caráter exclusivamente diplomático”. A pasta afirmou ainda que, no Rio, “não está e nem haverá atendimento médico”, embora o navio possua estrutura para ações humanitárias em outros países.

O CREMERJ também anunciou que enviará ofício à Marinha do Brasil, responsável por autorizar e fiscalizar a presença de embarcações estrangeiras em águas e portos nacionais. Procurada, a Marinha ainda não respondeu. O espaço permanece aberto.

Em entrevista, o conselheiro do CREMERJ e do Conselho Federal de Medicina Raphael Câmara afirmou que, até o momento, não há confirmação de atendimento à população brasileira. Segundo ele, as informações iniciais indicam que a visita se restringe a intercâmbio institucional com a Marinha do Brasil, médicos brasileiros e a SES-RJ. “Em princípio, trata-se de um navio chinês em atividade de inter-relação, mas sem atendimento algum”, disse.

Câmara afirmou que o conselho iniciou fiscalização no local para verificar se essa versão corresponde aos fatos. Ele também relatou que não houve comunicação formal ao CREMERJ sobre a atuação da embarcação.

Antes da notificação do conselho, o governo do Rio realizou recepção oficial à delegação chinesa. A secretária estadual de Saúde, Claudia Mello, representou o governador Cláudio Castro (PL-RJ) em encontro com o contra-almirante Fang Jinsong, da Marinha do Exército de Libertação Popular da China. Segundo o governo estadual, as atividades no Rio se limitam a intercâmbio profissional e científico durante a estadia do navio.

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