Alive: “Não podemos fortalecer sistema que nos censura", diz Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Alive: “Não podemos fortalecer sistema que nos censura”, diz Dantas

Segundo Dantas, a atuação dos influenciadores na divulgação de opiniões ou produtos não configura crime. Foto: Reprodução/ Programa Alive.

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Por Redação

Apresentador e deputado comentam denúncias sobre influenciadores e o Banco Master

Durante o programa Alive, nesta sexta-feira (9), o apresentador Claudio Dantas e comentou as denúncias sobre influenciadores digitais que teriam sido procurados para questionar publicamente a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central. A instituição é alvo de investigação por uma fraude de R$ 12 bilhões.

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O jornalista afirmou que é preciso cuidado para não criminalizar a atividade dos influenciadores, mas destacou que há diferença entre divulgação de opinião e corrupção.

“Temos que ter um cuidado enorme para não cair na armadilha de fortalecer o sistema que nos censura”, alertou Dantas.

 “Eu estou pouco me importando com influenciador de fofoca falando de mercado financeiro. O problema é quando essa turma vem para política. Se uma agência quer contratar um deputado estadual ou vereador para defender interesses privados, isso é corrupção ativa. Tem que ser investigado”, disse.

Segundo Dantas, a atuação dos influenciadores na divulgação de opiniões ou produtos não configura crime.

“O influenciador funciona na base da grana. Todos eles estão vendendo alguma coisa — opinião, dica, carro, comida. Agora, se ele recebe uma proposta para influenciar um parlamentar, aí a coisa muda completamente.”

Dantas reforçou que críticas legítimas e ataques devem ser distinguidos.

“Daqui a pouco ninguém mais pode falar nada, porque tudo vira ataque à democracia. Ataque é outra coisa, crítica é outra coisa. Se uma instituição como o Banco Central não aguenta críticas, a credibilidade dela não existe. Se o STF se coloca como vítima, significa que não é capaz de resistir às críticas”, concluiu.

O deputado federal Luiz Lima (Novo-RJ) complementou que recebeu uma série de relatos ao longo da semana de que influenciadores foram procurados para fazer ‘gerenciamento de reputação’ e gestão de crise para grandes executivos.

“Todos foram remunerados e submetidos a contrato de confidencialidade com multa de R$ 800 mil. Não aceitaram, mas o caso mostra como política e dinheiro se misturam”, explicou.

Lima também criticou desigualdades históricas que, segundo ele, abrem espaço para manipulação da opinião pública.

“Todos aqueles que foram presos durante o regime militar e hoje ocupam cargos políticos estão milionários. Mas muitos familiares de generais daquela época passam por dificuldades. É essa disparidade que permite que grupos tentem influenciar a opinião pública via influenciadores”, afirmou.

O deputado estendeu a crítica a profissionais do Judiciário e advogados que atuam em casos de interesse político.

“Recebemos advogados vinculados a grupos como o ‘Prerrogativas’ defendendo servidores, enquanto suas famílias faturavam milhões com pareceres simples. É preciso atenção, porque esses mecanismos existem e funcionam há muito tempo”, completou.

A denúncia chegou à Polícia Federal, que apura inicialmente a contratação de perfis digitais para criticar o Banco Central em favor do Banco Master. A Diretoria de Inteligência da PF está produzindo um relatório preliminar (IPJ) que poderá fundamentar a abertura de um inquérito policial.

Segundo relatos, influenciadores de direita teriam sido procurados no final de 2025 por representantes de agências de marketing digital, como a UNLTD Brasil, com propostas que incluíam contratos de confidencialidade e multas de R$ 800 mil por quebra de sigilo. Em seguida, começaram a circular nas redes sociais vídeos questionando a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master, citando reportagens que apontavam supostos indícios de precipitação na decisão da autoridade monetária.

Assista ao programa completo:

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