Exército afirma que barco estava ligado ao tráfico internacional de drogas
Os Estados Unidos realizaram, nesta quinta-feira (4), um novo ataque contra uma embarcação no Leste do Oceano Pacífico, próximo à costa da América Latina.
A ação deixou quatro homens mortos. Segundo as Forças Armadas americanas, o barco estaria ligado a uma rota internacional de tráfico de drogas.
Em comunicado divulgado na rede X, o Exército dos EUA informou que a inteligência identificou a presença de narcóticos ilícitos a bordo e confirmou que a embarcação transitava por uma rota conhecida do narcotráfico no Pacífico Oriental.
De acordo com dados da agência Reuters, mais de 20 barcos já foram atingidos em operações semelhantes no Caribe e no Pacífico, e o número de mortos ultrapassa 80 pessoas.
A ofensiva mais recente ocorre em meio a uma crescente polêmica envolvendo ações anteriores. Nesta semana, a Casa Branca confirmou que as forças americanas realizaram um segundo ataque contra sobreviventes de uma embarcação no Caribe, em 2 de setembro.
As denúncias foram publicadas pelo jornal The Washington Post e apontam que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, teria ordenado verbalmente o novo bombardeio contra pessoas que se agarravam aos destroços do barco já destruído.
Diante da repercussão, o governo norte-americano reconheceu a existência do segundo ataque, mas afirmou que a ação foi motivada por legítima defesa.
A porta-voz Karoline Leavitt declarou que a decisão partiu do comandante do Comando de Operações Especiais, almirante Frank M. Bradley, e que ele atuou dentro de sua autoridade.
Apesar disso, o caso gerou críticas internacionais e levantou alertas sobre a possibilidade de crime de guerra. Organizações e analistas questionam a proporcionalidade do uso da força contra pessoas já em situação de vulnerabilidade no mar.
Tanto o presidente Donald Trump quanto o secretário de Defesa, Pete Hegseth, reforçaram a versão de que todas as embarcações atacadas estavam envolvidas em atividades de narcotráfico ou narcoterrorismo.
Trump demonstrou apoio ao comando militar, embora tenha negado ter autorizado diretamente o atendimento aos sobreviventes.
“Vamos deixar uma coisa bem clara: o almirante Bradley é um herói americano, um verdadeiro profissional, e tem meu apoio incondicional. Eu o apoio e defendo as decisões de combate que ele tomou”, afirmou Hegseth.

Cerco à Venezuela
As ofensivas no mar acontecem simultaneamente ao endurecimento do discurso do governo norte-americano contra a Venezuela.
Nesta quarta-feira (3), o Departamento de Estado voltou a recomendar que cidadãos americanos deixem o país imediatamente, reforçando alertas de segurança já emitidos em maio.
Segundo o governo dos EUA, há alto risco de detenção ilegal de cidadãos americanos na Venezuela, além de ameaça de criminalidade, instabilidade civil e precariedade da infraestrutura de saúde.
Em comunicado oficial, o Departamento de Estado afirmou que cidadãos não devem viajar ou permanecer no país devido ao “risco elevado de detenção ilegal, tortura, terrorismo, sequestro, aplicação arbitrária das leis locais e colapso dos serviços públicos essenciais”.
