Presença militar dos EUA na América Latina pode durar mais do que o esperado
O governo Trump divulgou uma nova estratégia de segurança nacional dos EUA, com foco maior na América Latina e no combate à imigração, ao mesmo tempo em que aponta um afastamento dos Estados Unidos de seu papel global.
O documento, divulgado na noite de ontem (04), define os pilares de segurança e defesa do país e deve orientar a política externa americana durante o segundo mandato de Trump. O texto também menciona a retomada da Doutrina Monroe para reforçar a liderança de Washington na região.
A estratégia, detalhada em 33 páginas, promete um “reajuste de nossa presença militar global para enfrentar ameaças urgentes em nosso Hemisfério, afastando-nos de teatros cuja relevância relativa para a segurança nacional americana diminuiu nas últimas décadas ou anos”.
O anúncio ocorre em meio a tensões entre EUA e Venezuela e à intensificação da chamada guerra às drogas de Trump na América Latina. O documento indica que a presença militar americana na região pode durar mais do que o esperado, com ênfase no combate a cartéis de drogas, alvo de Washington desde agosto.
“Após anos de negligência, os Estados Unidos reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental e proteger nossa pátria e nosso acesso a regiões-chave em toda a região. Negaremos a concorrentes de fora do Hemisfério a capacidade de posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos estrategicamente vitais, em nosso Hemisfério”, afirma o documento.
O texto classifica o “Corolário Trump à Doutrina Monroe” como “uma restauração sensata e eficaz do poder e das prioridades americanas, consistente com os interesses de segurança dos Estados Unidos”.
A estratégia define três frentes para o realinhamento militar na região:
- Presença mais forte da Guarda Costeira e da Marinha para controlar rotas marítimas, conter a migração ilegal, reduzir o tráfico de pessoas e drogas e monitorar rotas estratégicas em situações de crise;
- Emprego de forças para proteger fronteiras e enfrentar cartéis, incluindo o uso de força letal quando necessário;
- E estabelecimento ou ampliação de acessos em locais de importância estratégica.
A Doutrina Monroe, defendida pelo presidente norte-americano James Monroe (1817-1825), determinava que o Hemisfério Ocidental estava fechado à colonização europeia e proibia a interferência de potências europeias nos assuntos das novas repúblicas da América Latina.
Originalmente criada para proteger essas nações, a política serviu posteriormente como justificativa para a hegemonia dos EUA na região.
*Clique aqui para acessar o documento completo (em inglês)
