Investigação aponta sonegação de R$ 26 bi envolvendo Refit e outras empresas
O Grupo Refit, alvo nesta quinta-feira (27) da Operação Poço de Lobato, montou um esquema que combinava empresas laranjas, simulações de vendas interestaduais e uma complexa rede societária para evitar o pagamento de ICMS e ocultar bilhões em receitas, segundo investigações do MP de São Paulo, Receita Federal e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
As autoridades estimam em R$ 26 bilhões o prejuízo causado aos cofres públicos. Veja como operava o esquema do Refit e das outras investigadas:
Uso de empresas interpostas para burlar o ICMS
Empresas ligadas ao grupo se colocavam como intermediárias nas operações de compra e venda de combustíveis apenas para simular transações e reduzir o imposto devido ao Estado de São Paulo.
Mesmo com sucessivos Regimes Especiais de Ofício impostos pela Sefaz-SP — que impõem regras rígidas de fiscalização — o grupo abria novos CNPJs e continuava o esquema.
Simulação de vendas entre estados
As investigações apontam para operações interestaduais fictícias, criadas para gerar créditos indevidos e driblar a tributação. Essas simulações eram repetidas e articuladas por empresas com vínculos societários entre si.
Rede de ocultação dos verdadeiros beneficiários
A Receita identificou uma estrutura de múltiplas camadas envolvendo colaboradores, holdings, offshores, instituições de pagamento e fundos exclusivos. Segundo o órgão, tratava-se de uma estrutura “sofisticada” de lavagem de dinheiro e blindagem patrimonial.

Entre os achados:
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17 fundos de investimento ligados ao grupo, somando R$ 8 bilhões em patrimônio, muitos com apenas um cotista;
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Uma financeira com 47 contas bancárias para movimentações internas;
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Mais de 15 offshores nos EUA usadas para compra de imóveis e participações no Brasil (cerca de R$ 1 bilhão);
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Transferência de R$ 1,2 bilhão ao exterior via contratos de mútuo.
Operações internacionais e combustível irregular
Os investigadores identificaram que o grupo movimentou R$ 70 bilhões em apenas 1 ano por fundos, offshores e empresas próprias, incluindo uma petroleira no exterior. De 2020 a 2025, foram importados R$ 32 bilhões em combustíveis, com indícios de declarações falsas, uso de aditivos não autorizados e falta de comprovação de refino.
Uma das transações investigadas envolve uma empresa exportadora em Houston (EUA), responsável por mais de R$ 12,5 bilhões enviados ao Brasil.
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