Oposição se compromete em barrar indicação de Messias
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

Oposição se compromete em barrar indicação de Messias

O advogado geral da União, Jorge Messias, indicado por Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, esteve nesta terça (2), no gabinete do senador Mecias de Jesús, do Republicanos de Roraima.
Foto: Reprodução

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

Senadores citam proximidade com Lula e resistência cresce na Casa

A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta resistência no Senado. Senadores da oposição apontam proximidade com o presidente Lula e divergência em pautas sensíveis.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

O descontentamento atinge a presidência do Senado. Davi Alcolumbre (União-AP) avalia que prestou serviços ao governo e defende a indicação do ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para a vaga. Com a frustração, Alcolumbre passou a travar pautas de interesse do Planalto e interrompeu o diálogo com o líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA).

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a bancada votará contra o nome indicado por Lula.
“Somos contra a um presidente indicar um advogado ou um amigo seu”.

O senador Carlos Portinho (PL-RJ) declarou que Messias precisará consolidar votos dentro da base governista, a exemplo da recondução de Paulo Gonet à Procuradoria-Geral da República, aprovada por margem reduzida.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) declarou voto contrário. Ele afirmou discordar de posições de Messias sobre pautas sensíveis, incluindo manifestação contrária à resolução do Conselho Federal de Medicina que proibiu a assistolia fetal em casos de aborto legal acima de 22 semanas.

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) declarou que é contra a indicação “nem notável saber jurídico, nem conduta ilibada”.

O líder do PSDB no Senado, Plínio Valério (AM), afirmou que o ambiente para a votação é hostil e reiterou que votará contra.

Jorge Messias tem 45 anos, nasceu em 25 de fevereiro de 1980, e é ministro-chefe da Advocacia-Geral da União desde 2023. É formado pela Universidade Federal de Pernambuco e tem mestrado e doutorado pela Universidade de Brasília. Atuou em cargos jurídicos em governos do PT, foi subchefe para Assuntos Jurídicos na gestão Dilma Rousseff, procurador do Banco Central e conselheiro fiscal do BNDES.

Messias atua como procurador da Fazenda Nacional desde 2007. Em 2016, ganhou projeção nacional após diálogo entre Lula e Dilma divulgado pela Lava Jato, quando foi citado como “Bessias”. Caso aprovado, poderá permanecer no STF até 2055.

A oposição também articula reação com base no caso do INSS. Parlamentares afirmam que houve omissão da AGU em apurações de fraudes em descontos associativos.

O líder da oposição na Câmara, Luciano Zucco (PL-RS), declarou que Messias “perdeu todas as condições” para a vaga.
“Ao permanecer inerte diante de informações formais enviadas à AGU, permitiu que o prejuízo se aprofundasse e que entidades suspeitas continuassem operando livremente”.

Zucco afirmou que a Corte não pode ser “abrigo político”. A oposição protocolou pedido de investigação na Procuradoria-Geral da República por suposta prevaricação.

O senador Rogério Marinho também comentou o caso.
“Esse cidadão está cogitado a ir ao STF. Já basta de se colocar pessoas que não têm compromisso com a isenção, que trabalham contra a respeitabilidade que o Judiciário precisa ter”.

A oposição afirma que usará o episódio como eixo de pressão política para tentar barrar a indicação no Senado.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade