Senadores citam proximidade com Lula e resistência cresce na Casa
A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta resistência no Senado. Senadores da oposição apontam proximidade com o presidente Lula e divergência em pautas sensíveis.
O descontentamento atinge a presidência do Senado. Davi Alcolumbre (União-AP) avalia que prestou serviços ao governo e defende a indicação do ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para a vaga. Com a frustração, Alcolumbre passou a travar pautas de interesse do Planalto e interrompeu o diálogo com o líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA).
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a bancada votará contra o nome indicado por Lula.
“Somos contra a um presidente indicar um advogado ou um amigo seu”.
O senador Carlos Portinho (PL-RJ) declarou que Messias precisará consolidar votos dentro da base governista, a exemplo da recondução de Paulo Gonet à Procuradoria-Geral da República, aprovada por margem reduzida.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) declarou voto contrário. Ele afirmou discordar de posições de Messias sobre pautas sensíveis, incluindo manifestação contrária à resolução do Conselho Federal de Medicina que proibiu a assistolia fetal em casos de aborto legal acima de 22 semanas.
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) declarou que é contra a indicação “nem notável saber jurídico, nem conduta ilibada”.
O líder do PSDB no Senado, Plínio Valério (AM), afirmou que o ambiente para a votação é hostil e reiterou que votará contra.
Jorge Messias tem 45 anos, nasceu em 25 de fevereiro de 1980, e é ministro-chefe da Advocacia-Geral da União desde 2023. É formado pela Universidade Federal de Pernambuco e tem mestrado e doutorado pela Universidade de Brasília. Atuou em cargos jurídicos em governos do PT, foi subchefe para Assuntos Jurídicos na gestão Dilma Rousseff, procurador do Banco Central e conselheiro fiscal do BNDES.
Messias atua como procurador da Fazenda Nacional desde 2007. Em 2016, ganhou projeção nacional após diálogo entre Lula e Dilma divulgado pela Lava Jato, quando foi citado como “Bessias”. Caso aprovado, poderá permanecer no STF até 2055.
A oposição também articula reação com base no caso do INSS. Parlamentares afirmam que houve omissão da AGU em apurações de fraudes em descontos associativos.
O líder da oposição na Câmara, Luciano Zucco (PL-RS), declarou que Messias “perdeu todas as condições” para a vaga.
“Ao permanecer inerte diante de informações formais enviadas à AGU, permitiu que o prejuízo se aprofundasse e que entidades suspeitas continuassem operando livremente”.
Zucco afirmou que a Corte não pode ser “abrigo político”. A oposição protocolou pedido de investigação na Procuradoria-Geral da República por suposta prevaricação.
O senador Rogério Marinho também comentou o caso.
“Esse cidadão está cogitado a ir ao STF. Já basta de se colocar pessoas que não têm compromisso com a isenção, que trabalham contra a respeitabilidade que o Judiciário precisa ter”.
A oposição afirma que usará o episódio como eixo de pressão política para tentar barrar a indicação no Senado.
