Crise econômica, violência e migração impulsionam virada ideológica
A América do Sul atravessa uma mudança significativa no cenário político, marcada pela insatisfação dos eleitores com a situação econômica, o aumento da criminalidade e a pressão migratória.
A avaliação é do The Wall Street Journal, que aponta uma tendência de avanço de forças conservadoras em países como Bolívia, Argentina e Chile.
Segundo o jornal, a Bolívia encerrou quase 20 anos de governos de orientação socialista, enquanto a Argentina deu apoio às medidas de ajuste do presidente Javier Milei, focadas na redução do tamanho do Estado e na recuperação econômica.
No Chile, pesquisas indicam a possibilidade de vitória do candidato conservador José Antonio Kast no segundo turno de 14 de dezembro.
O Wall Street Journal afirma que essa reconfiguração política cria um ambiente favorável aos interesses do governo dos Estados Unidos. A gestão de Donald Trump vem ampliando presença no continente, com operações contra o narcotráfico no Caribe, apoio financeiro à Argentina e negociações para conter a influência da China em setores estratégicos.
De acordo com a publicação, o movimento ocorre em um momento em que grandes reservas de petróleo e minerais da região voltam a ganhar interesse de Washington. A análise destaca que líderes alinhados ao mercado facilitam a aproximação.
A reportagem também relaciona o avanço da direita ao aumento da criminalidade e ao fluxo migratório regional, impulsionado principalmente pela crise na Venezuela. Segundo o jornal, a má gestão econômica de governos anteriores contribuiu para a mudança no posicionamento do eleitorado.
No Chile, cerca de 70% dos eleitores apoiaram candidatos de direita no primeiro turno. Kast aparece à frente da comunista Jeannette Jara nas pesquisas e é considerado favorito para vencer o pleito.
A publicação avalia que a reorganização política sul-americana deve influenciar a atuação dos Estados Unidos no hemisfério ocidental e intensificar a disputa por espaço com a China nos próximos anos.
