Direção da Polícia Federal abre semana decisiva de depoimentos sobre avanço do crime organizado
A CPI do Crime Organizado inicia nesta terça-feira (18) uma das semanas mais relevantes desde sua instalação no Senado. Os senadores vão ouvir o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. Ambos participam da sessão a convite do relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O foco é aprofundar as investigações sobre a expansão territorial, econômica e operacional das facções criminosas no país.
A audiência também deve examinar a atuação conjunta da PF com a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro. O tema ganhou peso político após a megaoperação realizada no dia 28 de outubro nos complexos do Alemão e da Penha, que terminou com 121 mortos. A ação foi uma das maiores ofensivas recentes contra grupos armados no estado e levantou questionamentos sobre o uso da força e o impacto na segurança pública.
Paralelamente, a Câmara dos Deputados prepara uma votação considerada estratégica pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ele confirmou que o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado entrará na pauta desta terça-feira. Segundo Motta, a proposta representa “a resposta mais dura da história do Parlamento no enfrentamento do crime organizado”. O texto aumenta penas para integrantes de facções, dificulta progressões e cria bancos nacionais e estaduais de dados sobre organizações criminosas.
Motta afirmou que o momento exige “firmeza, garantias e eficiência institucional”. Ele destacou que a votação será conduzida com urgência devido ao avanço de facções em diversas regiões do país.
A CPI, criada em 4 de novembro, é presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES). O colegiado tem 11 titulares e sete suplentes. Para o relator Alessandro Vieira, a presença da cúpula da PF é essencial para compreender o real poder de articulação das facções e o nível de infiltração desses grupos em estados e municípios. Vieira argumenta que o país enfrenta redes criminosas com atuação cada vez mais sofisticada, impulsionadas por estruturas robustas de lavagem de dinheiro.
A comissão ouvirá, na quarta-feira (19), o diretor de Inteligência Penal do Ministério da Justiça, Antônio Glautter de Azevedo Morais, e o promotor Lincoln Gakiya, referência nacional no combate ao PCC desde os anos 2000. Gakiya participou de operações de grande impacto e é considerado uma das principais vozes na investigação de facções que atuam dentro e fora dos presídios.
As informações coletadas pela CPI servirão de base para o acompanhamento do Projeto de Lei das Facções Criminosas, relatado pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP). O texto é apontado como complementar ao Marco Legal que deve ser votado nesta semana na Câmara. A comissão também vai avaliar o nível de cooperação entre órgãos de segurança, especialmente após a Operação Carbono Oculto, que revelou esquemas de lavagem de dinheiro por meio de fintechs e postos de combustíveis.
O prazo inicial da CPI é de 120 dias. O objetivo é mapear a atuação e a expansão das organizações criminosas em todo o território nacional e indicar mudanças legislativas capazes de fortalecer o enfrentamento a facções e milícias.
