Investigação identifica divisão entre comando, finanças e articulação política em desvios contra aposentados
A Polícia Federal dividiu em núcleos “político”, “financeiro” e “de comando” o esquema de fraudes bilionárias em descontos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS, ligado à Conafer. A investigação aponta a entidade como uma organização criminosa estruturada, com hierarquia e divisão de tarefas.
Segundo o inquérito, o núcleo de comando era liderado pelo presidente da confederação, Carlos Roberto Ferreira Lopes, responsável pela orientação das fraudes e pela articulação política.
O núcleo financeiro, coordenado por Cícero Marcelino de Souza Santos, operava a lavagem e a movimentação dos recursos desviados por meio de empresas de fachada.
O núcleo político era formado por parlamentares, entre eles o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e seu assessor, André Luiz Martins Dias. Segundo a PF, eles atuavam para manter o acordo de cooperação técnica com o INSS e “proteger o grupo de investigações externas”. Pettersen aparece nas planilhas apreendidas como “Herói E” e, conforme o inquérito, recebia valores mensais repassados pelas empresas ligadas a Cícero Marcelino.
“A finalidade dos pagamentos era assegurar proteção política à entidade associativa, mediante atuação para impedir fiscalizações e garantir a manutenção do convênio com o órgão previdenciário”, afirma o inquérito.
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Na quinta-feira (13), a PF deflagrou nova fase da operação “Sem Desconto”, focada no núcleo político. O ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto foi preso preventivamente. Ele havia deixado o cargo em abril, após a primeira etapa da operação. Também foram presos André Felix Fidelis, ex-diretor de Benefícios, e Virgílio Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS.
A PF cumpriu ainda mandados contra dois deputados e um ex-ministro da Previdência. Fidelis era responsável pelos pagamentos investigados, e Oliveira Filho atuava como procurador-geral da autarquia. O inquérito cita a participação dos três ex-dirigentes do INSS no esquema.
O ex-ministro José Carlos Oliveira, que comandou a Previdência no governo Jair Bolsonaro, foi alvo de buscas e passou a usar tornozeleira eletrônica. Também foram alvo de buscas o deputado Euclydes Pettersen e o deputado estadual Edson Araújo (PSB-MA).
Na fase anterior, a PF havia mirado o “núcleo financeiro” e prendeu Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O empresário Maurício Camisotti também foi preso, e o advogado Nelson Wilians foi alvo de buscas.
O que dizem os citados:
Conafer: “Nós reafirmamos, com veemência, o princípio basilar do Estado de Direito: a presunção de inocência…”
Euclydes Pettersen: “Reitero que nunca tive qualquer vínculo com o INSS…”
Alessandro Stefanutto: “Trata-se de uma prisão completamente ilegal…”
A CNN tenta contato com as demais defesas.
