PF aponta três núcleos em fraude bilionária no INSS
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

PF aponta três núcleos em fraude bilionária no INSS

PF apreende veículos de luxo atribuídos ao Careca do INSS. FOTO: Polícia Federal

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Investigação identifica divisão entre comando, finanças e articulação política em desvios contra aposentados

A Polícia Federal dividiu em núcleos “político”, “financeiro” e “de comando” o esquema de fraudes bilionárias em descontos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS, ligado à Conafer. A investigação aponta a entidade como uma organização criminosa estruturada, com hierarquia e divisão de tarefas.

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Segundo o inquérito, o núcleo de comando era liderado pelo presidente da confederação, Carlos Roberto Ferreira Lopes, responsável pela orientação das fraudes e pela articulação política.

O núcleo financeiro, coordenado por Cícero Marcelino de Souza Santos, operava a lavagem e a movimentação dos recursos desviados por meio de empresas de fachada.

O núcleo político era formado por parlamentares, entre eles o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e seu assessor, André Luiz Martins Dias. Segundo a PF, eles atuavam para manter o acordo de cooperação técnica com o INSS e “proteger o grupo de investigações externas”. Pettersen aparece nas planilhas apreendidas como “Herói E” e, conforme o inquérito, recebia valores mensais repassados pelas empresas ligadas a Cícero Marcelino.

“A finalidade dos pagamentos era assegurar proteção política à entidade associativa, mediante atuação para impedir fiscalizações e garantir a manutenção do convênio com o órgão previdenciário”, afirma o inquérito.

LEIA AQUI A ÍNTEGRA DA DECISÃO

Na quinta-feira (13), a PF deflagrou nova fase da operação “Sem Desconto”, focada no núcleo político. O ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto foi preso preventivamente. Ele havia deixado o cargo em abril, após a primeira etapa da operação. Também foram presos André Felix Fidelis, ex-diretor de Benefícios, e Virgílio Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS.

A PF cumpriu ainda mandados contra dois deputados e um ex-ministro da Previdência. Fidelis era responsável pelos pagamentos investigados, e Oliveira Filho atuava como procurador-geral da autarquia. O inquérito cita a participação dos três ex-dirigentes do INSS no esquema.

O ex-ministro José Carlos Oliveira, que comandou a Previdência no governo Jair Bolsonaro, foi alvo de buscas e passou a usar tornozeleira eletrônica. Também foram alvo de buscas o deputado Euclydes Pettersen e o deputado estadual Edson Araújo (PSB-MA).

Na fase anterior, a PF havia mirado o “núcleo financeiro” e prendeu Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O empresário Maurício Camisotti também foi preso, e o advogado Nelson Wilians foi alvo de buscas.

O que dizem os citados:

Conafer: “Nós reafirmamos, com veemência, o princípio basilar do Estado de Direito: a presunção de inocência…”

Euclydes Pettersen: “Reitero que nunca tive qualquer vínculo com o INSS…”

Alessandro Stefanutto: “Trata-se de uma prisão completamente ilegal…”

A CNN tenta contato com as demais defesas.

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