Transação de R$ 280 milhões é cancelada após cheque sem fundos; nova licitação será aberta pela estatal
Os Correios decidiram anular a venda de um imóvel avaliado em R$ 280 milhões em Brasília depois de identificar que o pagamento inicial foi feito com um cheque sem fundos.
O terreno, localizado no Setor de Clubes Esportivos Norte, abrigava a Universidade Corporativa dos Correios (UNICORREIOS), que oferecia cursos de capacitação e espaço de convivência para funcionários da estatal.
A única participante da licitação, a ONG CPM Intercab, era dirigida por Jorge Luiz Almeida da Silveira, conhecido como Pai Jorge de Oxossi, líder religioso do Candomblé em Taguatinga, DF.
Ele coordena um terreiro na Ceilândia e afirmou não ter conhecimento das irregularidades envolvendo o pagamento.

Segundo os Correios, o processo seguiu todas as normas da licitação, mas está em processo de anulação, e uma nova disputa será realizada.
A estatal explicou que o cheque de R$ 500 mil, usado como primeira parcela, foi emitido em nome da empresa M Gorete F Alves Ltda, cujo CNPJ é inexistente no sistema da Receita Federal.
O terreno de 212 mil metros quadrados possui cerca de 10% de área construída e inclui piscinas, quadras e restaurantes.
Inicialmente avaliado em R$ 322 milhões, o valor final apresentado pela ONG foi inferior, devido à falta de concorrência.
Após a homologação da venda, o então presidente dos Correios, Fabiano Silva, determinou que a área de compliance investigasse a ONG e seu dirigente.
A investigação indicou que o cheque teria relação com Maria Gorete Ferreira Alves, que visitou o terreiro de Pai Jorge e prometeu apoio financeiro para um projeto social no local da UNICORREIOS.
Segundo as autoridades, Maria Gorete é alvo de um mandado de prisão por envolvimento em golpes imobiliários e desaparecimento de recursos.
Pai Jorge negou ter desistido da licitação e afirmou que desconhecia que o cheque não tinha fundos. “Nunca nos foi dada nenhuma posição sobre a situação. Fomos apenas informados que a venda foi cancelada por ordem superior”, disse.
Os Correios reforçaram que o pagamento via cheque estava previsto no edital, e que a anulação se deu apenas em função da irregularidade identificada, reiterando que uma nova licitação será aberta.
