O Brasil piorou sua posição no Índice Global de Crime Organizado, passando do 22º para o 14º lugar entre os países mais afetados pela presença de facções e mercados ilícitos.
O levantamento, divulgado pela Iniciativa Global Contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC), reúne dados de 2021 a 2025 e avalia tanto o nível de criminalidade quanto a capacidade dos Estados de enfrentá-la.
A metodologia atribui notas de 0 a 10, considerando fatores como a estrutura e a influência de grupos criminosos e os tipos de atividades ilegais em que atuam.
Apesar do avanço do crime organizado, o Brasil apresentou leve melhora na resiliência ao crime, subindo da 94ª para a 86ª posição. O índice mede a capacidade dos países de prevenir, reagir e se recuperar das ameaças impostas por organizações criminosas.
O país integra agora o grupo de 66 nações com alta criminalidade e baixa resiliência, ao lado de México, Camboja, Rússia, Camarões e Etiópia. Mianmar, na Ásia, aparece com os piores indicadores globais.
Segundo o relatório, “esses países enfrentam ameaças em níveis significativos do crime organizado em múltiplos mercados e contam com deficiências em mecanismos de combate”.
A pesquisa aponta ainda transformações no mercado das drogas, com “ascensão das drogas sintéticas e da cocaína, enquanto maconha e heroína perdem espaço”. A maconha, no entanto, segue como “a substância ilícita mais usada no planeta”.
Os pesquisadores destacam que o aumento do tráfico de cocaína está diretamente ligado à América do Sul, “vinculado ao alcance global dos cartéis que atuam na região”. Já o mercado de drogas sintéticas “tem se mostrado mais flexível e descentralizado”, com laboratórios próximos aos mercados consumidores, o que reduz custos de produção e transporte.
