Documentário suprimiu frases para insinuar que presidente americano incitou invasão do Capitólio
O diretor-geral da BBC, Tim Davie, e a presidente-executiva da BBC News, Deborah Turness, renunciaram neste fim de semana após a emissora britânica ser acusada de distorcer declarações de Donald Trump antes da invasão do Capitólio.
Vídeo mostra distorção feita pela BBC em discurso de Donald Trump no 6/1. Documentário com a fala falsa foi exibido antes das eleições americanas de 2024. Diretores da emissora britânica renunciaram após manipulação ser exposta. pic.twitter.com/wAXnXkmn9j
— PortaldoDantas (@PortaldoDantas) November 10, 2025
“É um dia triste para a BBC”, afirmou o presidente da emissora pública, Samir Shah, em comunicado. Ele destacou que Davie foi “um excelente diretor-geral nos últimos cinco anos”, mas enfrentou “pressão persistente” que o levou à decisão.
O caso veio à tona após reportagem do jornal The Daily Telegraph, que apontou manipulação de trechos de um discurso de Trump feito em 6 de janeiro de 2021. A edição foi feita de forma a parecer que o presidente americano incitou a invasão.
No discurso original, Trump disse: “Vamos caminhar até ao Capitólio e vamos torcer por nossos corajosos senadores e membros do Congresso”. No discurso editado, a BBC juntou o trecho “Vamos caminhar até ao Capitólio” com “lutaremos como o diabo”.
A ministra britânica da Cultura, Lisa Nandy, classificou o caso como “extremamente grave” e convocou o presidente da BBC a prestar esclarecimentos no Parlamento.
Em mensagem interna, Davie reconheceu que “o debate atual em torno da informação da BBC contribuiu para a decisão” e afirmou que, embora a emissora “funcione bem no geral”, erros foram cometidos e “o diretor-geral deve assumir a responsabilidade”.
Deborah Turness também justificou sua saída afirmando que “a atual controvérsia em torno da reportagem Panorama sobre o Presidente Trump chegou a um ponto em que prejudica a BBC”.
A Casa Branca, por meio da porta-voz Karoline Leavitt, classificou a edição como “deliberadamente desonesta” e disse que o material continha “informações 100% falsas”.
Nos últimos meses, a BBC também havia sido criticada pelo órgão regulador Ofcom por violar regras de difusão em reportagem sobre Gaza, em que o narrador era filho de um dirigente do Hamas — relação omitida pela emissora.
