Victor Santos afirma que medida facilitaria bloqueio de ativos no exterior
O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, confirmou que enviou um pedido formal ao governo dos Estados Unidos para que o Comando Vermelho (CV) seja incluído na lista de organizações terroristas do país.
A solicitação foi feita há alguns dias e, segundo ele, tem como objetivo facilitar o rastreamento e o bloqueio de recursos financeiros ligados à facção.
Victor Santos reconheceu que, pela legislação brasileira, o grupo não se enquadra tecnicamente como uma organização terrorista. Apesar disso, defendeu que o enquadramento nos Estados Unidos serviria como um reconhecimento da atuação transnacional do CV.
“O americano controla todo o sistema SWIFT, as transações financeiras no mundo inteiro. Isso, para a gente, é interessante, porque dá agilidade para bloquear ativos da organização criminosa”, explicou.
O secretário citou o exemplo do Primeiro Comando da Capital (PCC), que já foi inserido em listas de sanções econômicas do Departamento do Tesouro americano, e afirmou que o Rio busca o mesmo caminho para ampliar a capacidade de resposta financeira ao crime organizado.
O pedido aos Estados Unidos ocorre em meio à repercussão da megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou 121 mortos, incluindo quatro policiais. O governo fluminense estima que mais de 200 suspeitos de integrar o Comando Vermelho conseguiram escapar do cerco.
Santos classificou a ação como “a maior operação de segurança pública do mundo” e afirmou que ela continua em curso, com foco no fluxo financeiro da facção.
“O fato de algumas lideranças terem fugido não impede que sejam presas no futuro. A operação continua, e o objetivo é identificar todo o fluxo de recursos financeiros do Comando Vermelho”, disse.

Foto: Antônio Lacerda/EFE
O secretário destacou que o trabalho das forças policiais será mantido e que a Secretaria de Segurança Pública não atua com “preferências criminosas”.
“Temos alvos no Comando Vermelho, no Terceiro Comando, na milícia, no jogo do bicho, na maquininha, no cigarro. Não temos criminoso favorito”, afirmou.
Victor Santos também fez críticas à legislação penal brasileira, que classificou como “leniente” em relação ao crime organizado, e defendeu a ampliação dos instrumentos legais de repressão.
“Infelizmente, temos uma legislação muito leniente, em que esses criminosos são tratados como criminosos comuns. Nosso papel é defender as forças policiais e os agentes que estavam no local executando a operação”, afirmou.
O secretário ainda expressou preocupação com o tráfico internacional de armas, dizendo temer que armamentos utilizados nas guerras da Ucrânia e do conflito entre Israel e Hamas cheguem ao Rio de Janeiro.
“Muitas armas usadas em guerras acabam sendo redistribuídas por senhores da guerra em países da África. O Rio não é diferente. Ainda não verificamos esse tipo de armamento aqui, mas é uma preocupação real”, disse.
