Instalação da comissão ocorre nesta terça; Flávio Bolsonaro e Magno Malta surgem como nomes centrais nas negociações
A CPI do Crime Organizado será oficialmente instalada nesta terça-feira (4) no Senado, e os bastidores mostram uma disputa de força entre governo e oposição antes mesmo da primeira reunião.
O senador Márcio Bittar (União-AC) confirmou ao site do Claudio Dantas que o grupo de oposição vai trabalhar para impedir que a esquerda assuma o comando da comissão, e revelou os nomes que estão no centro das articulações.
Segundo Bittar, o senador Magno Malta (PL-ES) é o nome inicialmente indicado para presidir a CPI, mas enfrenta problemas de saúde que podem levá-lo a abrir mão da função. Nesse caso, o substituto natural seria Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que coordena as conversas em nome da oposição e é presidente da comissão de Segurança Pública.
“Se o Magno, por conta das questões de saúde, resolver não assumir, o nome mais indicado é o do Flávio Bolsonaro. Entre nós não há divergência”, disse Bittar. “Nós não vamos permitir que a esquerda controle a CPI. Eles têm responsabilidade direta pela insegurança que o país vive.”
O senador revelou ainda que há uma negociação em curso para garantir uma composição “civilizada” no comando da comissão.
O acordo em discussão prevê a presidência com a oposição e a relatoria com o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do pedido de criação da CPI.
“Se houver esse entendimento, é o mais equilibrado. O Alessandro não é um esquerdista radical. Tem se comportado de forma mais neutra”, avaliou Bittar.
Ele adiantou que a oposição deve ter votos suficientes para garantir tanto a presidência quanto a relatoria, mas aposta em um consenso de centro para impasses nos trabalhos.
“Você não pode deixar o rato cuidando do queijo. A esquerda governa o Brasil há quase 30 anos, domina universidades e meios de comunicação, e foi leniente com o crime organizado. Lula elogia narcoestados como Venezuela e Colômbia. É conivência”, explicou.
Para o senador, o governo Lula é conivente ao se recusar a reconhecer grupos como o Comando Vermelho como organizações terroristas. Ele associou o aumento da violência à “visão ideológica” da esquerda na segurança pública e à falta de punição rigorosa.
“A esquerda acha que o criminoso é vítima do sistema. Nós, da direita, entendemos que o que inibe o crime é a punição. Sem isso, as campanhas são inócuas”, afirmou.
Bittar também reforçou que a CPI não será “técnica” no sentido neutro do termo, como defendem o senador Alessandro Vieira. Para ele, a apuração tem um componente político inevitável.
“Como não vai ser política? Estamos falando de segurança pública num país em que um quarto da população vive sob domínio de facções. Não dá para fingir neutralidade”, argumentou.
Amanhã, Bittar participa da sessão de instalação no lugar de Sergio Moro (União-PR), de quem é suplente. Segundo ele, a oposição está alinhada e deve chegar à reunião com um nome fechado para o comando.
