De onde vêm os drones usados pelos cartéis do narcotráfico no Rio de Janeiro - Claudio Dantas
Brasília, Sábado, 04 de julho de 2026
Brasil

De onde vêm os drones usados pelos cartéis do narcotráfico no Rio de Janeiro

Drone quadricóptero similar ao usado como arma no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Drone quadricóptero similar ao usado como arma no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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Por Eli Vieira

Jornalista e Biólogo

Durante a operação policial recordista de terça (28) contra o narcotráfico no Rio de Janeiro, chamaram a atenção imagens de drones usados pelos narcoterroristas como arma contra a polícia.

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Os objetos voadores operados à distância foram observados nos complexos do Alemão e na Penha, onde 2,5 mil policiais militares e civis executaram a operação. A Defensoria Pública confirmou mais de 130 mortes, com poucas baixas entre as forças do estado.

Segundo o governador fluminense, Cláudio Castro (PL), 93 fuzis foram apreendidos. A inovação no conflito armado não fica só nos drones: as autoridades descobriram que as facções têm fábricas clandestinas dessas armas de fogo, montadas a partir de matéria-prima importada.

Os drones, contudo, não são de natureza militar desde sua fabricação, como os usados por Vladimir Putin contra a Ucrânia, cujo nome mais técnico seria “veículo aéreo não tripulado” (UAV). São drones comerciais adaptados por cartéis como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital para lançar cargas explosivas.

Essas máquinas são dirigidas por FPV, sigla em inglês para “visão em primeira pessoa”. Ou seja, o operador usa óculos especiais para enxergar pela câmera do drone. O modelo típico é o quadricóptero veloz, com capacidade para carregar consigo pequenos volumes. O preço típico do quadricóptero adaptável como arma é de até R$ 10 mil. Um modelo com capacidade de soltar uma carga, contudo, pode chegar a R$ 20 mil ou mais.

Os drones são usados não só contra a polícia, mas também no conflito entre os cartéis. Por isso, “nos últimos anos se observa no Rio a apreensão de equipamentos antidrone, justamente de facções tentando se proteger do ataque de grupos rivais”, disse Leonardo Silva, pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ao Estadão.

Victor Santos, secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, disse que os objetos aéreos também são usados contra a população. “É a realidade, esse estado de guerra que a gente vive no Rio de Janeiro”, afirmou em entrevista à TV Globo.

Autoridades precisam se atualizar e usar sistemas antidrones

Se os próprios narcoterroristas usam sistemas antidrones, as forças de segurança também precisam de permissão para fazer o mesmo. É a opinião de Rodolfo Queiroz Laterza, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol).

“Hoje há armas de energia direcionada, sistemas de modulação de bandas de frequência para conter esses drones”, disse Laterza ao Estadão. “Precisa ter capacitação. Todas as forças de segurança vão precisar, nos próximos cinco anos. Caso contrário, enfrentaremos riscos imensuráveis à nossa segurança”.

Os criminosos também já têm fábricas de sistemas antidrones, como equipamentos de interferência nos sinais de rádio, conhecidos como jammers, e bloqueadores de GPS. A descoberta foi feita por policiais civis de São Paulo e do Rio de Janeiro em uma operação em Sorocaba (SP), em setembro.

Uma investigação do Ministério Público em São Paulo também revelou que drones são usados para seguir e monitorar pessoas marcadas para morrer pelos narcoterroristas, incluindo um promotor e um diretor de presídio. Os quadricópteros também transportam celulares para dentro de prisões e pequenas cargas de drogas.

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