Secretário da PM diz que foi criado um 'muro do Bope' para encurralar narcoterroristas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Secretário da PM diz que foi criado um ‘muro do Bope’ para encurralar narcoterroristas

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Por Taís Hirschmann

De acordo com o secretário de Segurança Pública, Victor Santos, as vítimas são apenas os quatro baleados no entorno da comunidade e os quatro policiais que morreram nos complexos da Penha e Alemão.

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Durante a megaoperação que deixou mais de 120 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, as forças de segurança montaram o que chamaram de “Muro do Bope”. A estratégia consistia em policiais entrarem pela área da Serra da Misericórdia para cercar os criminosos e empurrá-los em direção à mata, onde outras equipes do Batalhão de Operações Especiais já estavam posicionadas.

A explicação foi dada pelo secretário da Polícia Militar, Marcelo de Menezes, durante entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (29), quando a cúpula da Segurança Pública do Rio comentou os resultados da ação.
O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, classificou o “dano colateral” como “muito pequeno”, afirmando que apenas quatro pessoas inocentes morreram durante a ação.
“Distribuímos as tropas pelo terreno. O diferencial, em relação às imagens que mostravam criminosos fortemente armados buscando refúgio na área de mata, foi a incursão dos agentes do Bope na parte mais alta da montanha que separa as duas comunidades. Essa ação criou o que chamamos de ‘muro do Bope’ — uma linha de contenção formada por policiais que empurravam os criminosos para o topo da montanha”, detalhou Menezes.
Segundo ele, a ação tinha como objetivo proteger a população: “O objetivo era proteger a população e garantir a integridade física dos moradores do Alemão e da Penha. A maioria dos confrontos, ou praticamente todos, ocorreu na área de mata”, garantiu o secretário, frisando que o confronto se iniciou às 6h e terminou às 21h.
Os números oficiais, divulgados pela cúpula da segurança do RJ nesta quarta-feira (29), dia seguinte à ação, são de mais de 120 mortos na megaoperação: 4 policiais e 117 narcoterroristas.
Mas moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, afirmaram ter encontrado pelo menos 74 corpos, que foram levados para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, uma das principais da região, ao longo da madrugada desta quarta-feira (29). O secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, disse que foram 63 corpos achados na mata.
Curi disse também que foram 113 presos, 33 de outros estados, como Amazonas, Ceará, Pará e Pernambuco. A ação contou 2,5 mil policiais civis e militares e é considerada pela cúpula da segurança como de alto risco.
Um ano de investigação
O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, destacou que a investigação que culminou na operação desta terça durou cerca de um ano.
“O Rio de Janeiro tem quase 1/4 de sua população morando em favelas, enquanto o percentual no Brasil é de 8,1%. São 9 milhões de metros quadrados de desordem na Penha e no Alemão. Uma investigação de aproximadamente um ano, que envolveu as polícias do Rio e de vários estados, principalmente do Pará”, destacou o secretário, ressaltando que o planejamento da ação foi minucioso.
Santos ainda classificou como “dano colateral muito pequeno” o número de inocentes e mortos feridos durante a ação.
“As vítimas são os quatro inocentes que foram baleados e os quatro policiais que morreram”, disse.
Governador disse que operação foi um ‘sucesso’
Mais cedo, o governador Cláudio Castro, disse que a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão foi um “sucesso”.
“Temos muita tranquilidade de defendermos tudo que fizemos ontem. Queria me solidarizar com a família dos quatro guerreiros que deram a vida para salvar a população. De vítima ontem lá, só tivemos esses policiais.”
Segundo Castro, o principal indício de que os 54 eram criminosos é porque os confrontos foram todos em área de mata:
“Não acredito que havia alguém passeando em área de mata em um dia de operação”.
Ainda segundo o governador, é preciso ter muita responsabilidade para divulgar números em operações.
“A Polícia Civil tem a responsabilidade enorme de identificar quem eram aquelas pessoas. Eu não posso fazer balanço antes de todos entrarem. Daqui a pouco vira uma guerra de número. Nós não vamos trabalhar assim”, explicou.

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