Analista diz que Lula usou reunião com Trump como vitrine política
O programa ALive, apresentado pelo jornalista Claudio Dantas, abordou nesta segunda-feira (27) a reunião entre Lula e Donald Trump, que ocorreu ontem na Malásia, e a sua repercussão.
Após o encontro, o petista disse que o republicano “garantiu” que fará um acordo sobre o tarifaço e as sanções contra ministros do STF. Já o presidente americano disse que não sabe “se algo vai acontecer”.
Segundo o analista geopolítico Marcos Degaut, que participou do ALive de hoje, o encontro não foi esse “marco diplomático” como vendido pelo governo petista: “Uma análise fria, crítica, desapaixonada mostra que não foi nada disso, absolutamente nada disso”.
O analista internacional explicou que a diplomacia se move por dois eixos: o da diplomacia pública (que cuida de imagem, que cuida de comunicação) e o da diplomacia substantiva (que cuida de negociações, cuida da produção de resultados concretos).
De acordo com Degaut, o encontro de ontem “se encaixa exatamente no primeiro caso, ou seja, diplomacia pública voltada para a imagem, voltada para a comunicação”.
E prosseguiu: “Dentro da diplomacia pública, existe aquilo que se chama de diplomacia performática, ou seja, você utiliza esses instrumentos de imagem para a autopromoção política, para ganhos voltados para o consumidor interno, em detrimento dos interesses nacionais concretos”.
Os “resultados concretos” da reunião, de acordo com ele, são de que “não houve entendimento nenhum, em nenhuma área, em nenhuma das pautas principais”.
“A reunião foi absolutamente irrelevante do ponto de vista comercial”, afirmou Degaut: “Os Estados Unidos não cederam absolutamente nada em termos de suspensão da lei Magnitsky. O Brasil [também] não conseguiu o tão almejado e quase insano papel de mediador na crise diplomática dos Estados Unidos com a Venezuela”.
“O Brasil não possui o cacife político e diplomático para impor condições. O que significa que, se essas tarifas vierem a ser efetivamente negociadas com base no interesse nacional norte-americano, elas vão obedecer às determinações vindas de Washington. Resta saber quais são essas condições”, completou o analista.
Degaut finalizou destacando que assessores próximos de Trump e o advogado do presidente americano “ironizaram as falas brasileiras de que a reunião havia sido um sucesso, e ironizaram as falas de Lula sobre a independência do Judiciário brasileiro, sobre a legalidade absoluta do processo de condenação do presidente Jair Bolsonaro”.
“Então, o golpe está aí. Cai quem quer”.
