Presidente fala em retomada econômica, confirma reformas e admite possível reeleição em 2027
O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que “o pior já passou” e que o país inicia uma nova etapa de recuperação econômica. Em entrevista à emissora A24, após a vitória nas eleições legislativas, ele disse que prepara o relançamento de seu governo e abriu espaço para uma eventual reeleição em 2027.
“Estávamos em pior situação do que em 2001 e 2002. Conseguimos nos recuperar e o pior já passou”, declarou. “É uma consagração histórica da nossa visão. O kirchnerismo e a esquerda nos torpedearam; a política tentou nos prejudicar. É isso que destrói a economia.”
Milei destacou o desempenho de seu partido, La Libertad Avanza, que obteve 41% dos votos e garantiu um terço da Câmara dos Deputados. “O resultado é muito forte”, afirmou.
O presidente anunciou que avançará com reformas tributária e trabalhista e convidou governadores e líderes da oposição ao diálogo. “Planejamos reduzir impostos e promover uma modernização trabalhista que não implique em perda de direitos”, explicou.
Em mensagem aos sindicatos, criticou o modelo atual. “Os sindicatos sabem que isso não funciona. Se pensarem nisso como um negócio, estão acabados. Haverá mais trabalhadores registrados. Os únicos que não ganham são aqueles que querem escravizar os argentinos.”
Milei informou que o projeto de reforma trabalhista já está sendo elaborado e será liderado por Federico Sturzenegger, ministro da Desregulamentação Estatal. “Ontem mesmo iniciamos o diálogo. Agora caminhamos para reformas de segunda geração”, disse.
Novo gabinete e negociações políticas
O presidente indicou que possíveis mudanças ministeriais ocorrerão após 10 de dezembro. “O gabinete será estruturado conforme as alianças que devemos buscar. Preciso de um interlocutor político para levar adiante as reformas”, afirmou.
Milei elogiou o chefe de gabinete Guillermo Francos, mas deixou aberta a possibilidade de alterações. “Obviamente haverá mudanças. O Ministério da Segurança está resolvido; falta a Defesa”, comentou.
Apoio dos EUA e estabilidade financeira
O presidente também mencionou o apoio americano na estabilização econômica. “O risco populista se dissipou. As ações estão subindo e o risco-país está caindo”, disse. Segundo Milei, o acordo com o governo de Donald Trump garantiu recursos e confiança ao mercado.
“Estamos falando de pelo menos US$ 40 bilhões. Quando [Scott] Bessent veio à Argentina, em abril, tínhamos US$ 8,5 bilhões em vencimentos. A troca agora garante que vamos pagar. O dinheiro está lá”, afirmou.
Milei agradeceu publicamente a Trump, ao secretário do Tesouro Scott Bessent e ao secretário de Estado Marco Rubio, destacando que “estão redesenhando a ordem geopolítica mundial”.
O presidente concluiu que os resultados das urnas fortalecem sua liderança e abrem caminho para a segunda fase de seu governo, centrada em reformas estruturais e estabilidade econômica.
