Tesouro americano articulou swap de US$ 20 bilhões com o BC da Argentina antes das eleições legislativas
O presidente Donald Trump celebrou a vitória do presidente Javier Milei nas eleições legislativas argentinas de domingo (26). Ele afirmou que o resultado confirma o sucesso do apoio financeiro oferecido por Washington ao governo argentino.
“Foi uma grande vitória”, disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One nesta segunda-feira (27). “Ele não apenas venceu, venceu por muito”, afirmou, referindo-se ao desempenho da coalizão La Libertad Avanza, que conquistou a maioria dos votos em um pleito considerado decisivo para as reformas econômicas do país.
O Tesouro dos Estados Unidos, sob comando do secretário Scott Bessent, articulou um swap cambial de US$ 20 bilhões com o Banco Central da Argentina antes da votação. O acordo, sem participação do Federal Reserve, buscou estabilizar o peso argentino após a desvalorização registrada no mês anterior.
Segundo estimativas de mercado, o governo americano também realizou compras de mais de US$ 1 bilhão em pesos, em uma aposta de curto prazo para conter a crise cambial. “Essa eleição gerou muito dinheiro para os Estados Unidos. Os títulos subiram, a classificação de crédito do país inteiro subiu”, declarou Trump.
A operação foi considerada uma aposta de alto risco, já que a Argentina acumula histórico de calotes e deve US$ 55 bilhões ao FMI. Mesmo assim, os ativos argentinos valorizaram após o resultado eleitoral, indicando confiança na política econômica de Milei.
O movimento de Bessent
Bessent afirmou que o apoio financeiro americano funcionou como uma “ponte” até o período pós-eleitoral. Ele declarou que os EUA devem reduzir as intervenções nos próximos meses. “Agora acredito que o mercado vai se ajustar por conta própria e ganhará confiança nas políticas dele”, disse o secretário.
O Tesouro ainda avalia novos mecanismos de financiamento privado de até US$ 20 bilhões, voltados à reestruturação da dívida e à sustentação cambial. Analistas, porém, alertam para o risco de Milei adotar câmbio flutuante sem o respaldo americano, o que poderia reacender a instabilidade.
Internamente, o sucesso financeiro da operação é visto como resposta às críticas no Congresso sobre o apoio a Buenos Aires. Bessent defendeu a medida diante de questionamentos de democratas e republicanos sobre o impacto na exportação de soja. “É um mercado global. Os três principais fornecedores são Brasil, Argentina e Estados Unidos”, afirmou em entrevista à CBS.
