Governo petista também já impôs sigilo sobre negócios dos irmãos Batista na Venezuela
O governo Lula determinou sigilo de 5 anos sobre dois telegramas diplomáticos referentes aos irmãos Batista e às operações da JBS nos EUA. A descoberta foi feita pelo O Globo, que solicitou os documentos via Lei de Acesso à Informação, mas não obteve sucesso.
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O pedido do jornal visava obter o conteúdo integral das mensagens entre o Itamaraty e a embaixada brasileira em Washington desde 1º de julho, para apurar as movimentações dos irmãos Batista e da JBS diante do “tarifaço global” promovido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, nos últimos meses.
Dos três telegramas que citavam a empresa ou seus dirigentes, apenas uma foi divulgada: um telegrama de 26 de agosto, no qual a embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti analisa os efeitos das tarifas sobre os preços da carne bovina nos EUA. Os outros telegramas, de 14 e 31 de julho, permaneceram confidenciais.
O Itamaraty justificou o sigilo com base na Lei de Acesso à Informação, para “evitar impactos negativos em negociações ou relações internacionais” ou “proteger dados fornecidos em caráter confidencial por outros países ou organismos multilaterais”.
Reportagem anterior do O Globo mostrou que a Pilgrim’s Pride, subsidiária da JBS no Colorado (EUA), doou US$ 5 milhões, cerca de R$ 27 milhões, ao comitê de posse de Trump e do vice J.D. Vance. O valor superou as contribuições de grandes empresas norte-americanas, como Boeing, Uber e McDonald’s, que doaram US$ 1 milhão cada.
No começo de setembro, Joesley Batista esteve na Casa Branca para discutir com Trump a taxação de 50% sobre exportações brasileiras de carne. A JBS possui nove unidades industriais nos EUA, mercado responsável por metade de sua receita mundial, que atingiu US$ 77 bilhões em 2024.
GOVERNO LULA E OS IRMÃOS BATISTA
Em fevereiro deste ano, o governo petista também impôs sigilo de 5 anos sobre telegramas da embaixada do Brasil em Caracas que tratam dos negócios dos irmãos Batista na Venezuela. Em 2023, os empresários entraram no setor de óleo e gás com a aquisição da Fluxus. Após isso, passaram a buscar campos de petróleo na Venezuela e no Peru.
Em julho de 2024, a Fluxus anunciou investimento de US$ 100 milhões na Bolívia até 2028 para ampliar a produção de gás natural em 3 campos.
Em novembro de 2023, o Ministério de Minas e Energia autorizou a Âmbar Energia, dos irmãos Batista, a comprar energia elétrica da Venezuela. Recentemente, a Eletrobras anunciou que vendeu toda a participação que tinha na Eletronuclear para a Âmbar.