Requerimento pede explicações ao Ministério da Saúde sobre denúncias de irregularidades
Os deputados Helio Lopes (PL-RJ) e Allan Garcês (PP-MA) vão enviar um requerimento ao Ministério da Saúde para esclarecer denúncias de favorecimento a médicos cubanos no programa Mais Médicos. O caso foi relatado em audiência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
A médica Merabe Muniz disse que brasileiros foram removidos de suas funções para abrir vagas a cubanos. Ela relatou que, após se formar em 2015, não conseguiu atuar em Fernandópolis (SP) por causa das vagas ocupadas por profissionais estrangeiros.
“A denúncia é grave e deve ser esclarecida pelo governo”, afirmou Helio Lopes.

Conselheiros federais apontam que cubanos recebiam cerca de R$ 2,9 mil, mas parte significativa do pagamento ia para o governo de Cuba via Opas. Eles trabalhavam sob vigilância, com documentos retidos e restrições de locomoção. O Conselho Federal de Medicina classificou a situação como análoga à escravidão.
Mudanças após Bolsonaro
O programa foi substituído pelo Médicos pelo Brasil, que contratava médicos brasileiros diretamente e exigia a revalidação de diplomas estrangeiros. A iniciativa buscava criar carreira médica permanente em regiões de difícil fixação, com contratos pela CLT.
Mesmo assim, o Cremesp identificou que, no fim do governo Bolsonaro, médicos estrangeiros ainda atuavam sem registro e fora das áreas prioritárias, substituindo brasileiros.
Hoje, médicos cubanos representam 10% dos mais de 26 mil profissionais do Mais Médicos. Auditoria de 2025 apontou falhas no planejamento, metas limitadas e indicadores insuficientes.