Gayer lembrou certidões que embasaram prisões por postagens antigas em redes sociais
A sessão da Subcomissão Especial sobre o Combate à Censura da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (24), ouviu o ex-assessor de Alexandre de Moraes no STF Eduardo Tagliaferro. A convocação foi feita a partir de requerimento do deputado Gustavo Gayer (PL-GO). O parlamentar citou a acusação do magistrado de que Tagliaferro teria atuado para a “abolição do Estado Democrático de Direito por meios violentos”.
Gayer questionou a lógica da denúncia, lembrando que o ex-assessor só deixou o Tribunal Superior Eleitoral meses após os atos de 8 de janeiro.
“Tagliaferro, numa das acusações do ministro Alexandre de Moraes contra o senhor é que, de alguma forma, o senhor participou ou teve intenção da abolição do Estado Democrático de Direito por meios violentos. (…) Qual foi a data que o senhor saiu dessa estrutura do TSE?”, perguntou.
Tagliaferro respondeu que deixou a Corte em 9 de maio de 2023, ou seja, quatro meses depois dos atos e que não teve envolvimento nas acusações de Moraes.
“Impossível, e muito mais de forma violenta, não utilizo arma, não utilizei arma. Não existe arma, não existe atentado violento, não existia nada. E eu, como você mesmo disse, eu saí da estrutura bem depois disso, aliás, depois de ter feito, inclusive, as certidões por determinação dele, então eu não tenho qualquer envolvimento com isso”, afirmou.
Na sequência, Gayer mencionou as certidões positivas e negativas, que serviram de base para prisões de centenas de pessoas por publicações feitas em redes sociais anos antes. Essas certidões foram mencionadas pelos jornalistas investigativos Eli Vieira e David Ágape na “Vaza Toga 2”.
“Aquelas infames certidões, positiva e negativa, que colocou centenas de pessoas na cadeia baseado no que elas haviam postado nas redes sociais até dois, três anos anteriores, certo?”, questionou.
Tagliaferro confirmou: “Exatamente, a qual o próprio Ágape fez a divulgação.”
