No dia 7 de abril de 2018, poucas horas antes de se apresentar à Polícia Federal para cumprir a pena de 8 anos e 10 meses de prisão, Lula disse a correligionários que de nada adiantaria prendê-lo ou matá-lo. “Eu não sou mais um ser humano, eu sou uma ideia misturada com as ideias de vocês. Minhas ideias já estão no ar e ninguém poderá encerrar. Agora vocês são milhões de Lulas.”
O tempo mostrou que o petista estava certo. O lulismo estava muito mais misturado do que podíamos imaginar. Suas ideias já estavam no ar abafado do Supremo, impregnadas nas mentes e nos corações de seus ministros; contaminando também a Faria Lima, as universidades, a OAB, os sindicatos, as associações de aposentados, a mídia. Não que Lula seja persuasivo a esse ponto.
Na verdade, ele apenas materializou ideias tão antigas quanto a civilização. O ideário autoritário, corrupto e imoral que marca a história dos regimes de força em todo o planeta. A disputa pelo poder a qualquer custo, mesmo que ao custo de vidas humanas. Ideias por trás do assassinato brutal de Charlie Kirk, de Miguel Uribe, de Fernando Villavicencio, de Shinzo Abe; das tentativas contra Donald Trump e o próprio Jair Bolsonaro.
Adélio falhou. Alexandre, não.
O ex-presidente será levado para a Papuda nas próximas horas, sem direito a discursos, entrevistas ou postagens na internet; condenado previamente ao silêncio. De Moraes se cercou de medidas para impedir qualquer tentativa de convocação de uma reação popular. Por meio da censura, do banimento e de prisões arbitrárias de seus apoiadores, instaurou um regime de terror, garantindo também que nenhuma liderança tome a iniciativa.
É possível dizer que o lulismo venceu em 2022 e hoje, novamente. Mas ele já perdeu antes e duas vezes no mesmo ano, lá em 2018. Naquele ano, Jair Bolsonaro surgiu como líder vocal de uma parcela gigante da sociedade, aquela que ama a verdadeira democracia, que cobra moralidade, desenvolvimento econômico e respeito às liberdades individuais. Que crê na sacralidade da vida, da família e da propriedade.
Que enxerga na política uma arena de debate e um caminho para se alcançar uma sociedade livre e próspera; republicana. Essas ideias são tão antigas quanto a civilização e foram responsáveis por resgatá-la nos períodos mais sombrios de sua história. Elas sintetizam a própria pulsão da vida e sobreexistem para protegê-la de influências malignas, preservá-la.
Bolsonaro, com qualidades e defeitos, foi capaz de despertar essas ideias, há muito tempo adormecidas. Por despertá-las, Bolsonaro foi perseguido, quase assassinado e agora é, finalmente, condenado. Os sorrisos cúmplices dos ministros do Supremo esboçam o sentimento de vitória do lulismo sobre o bolsonarismo; uma vitória sem honra, digna de regimes de força, com alto custo para o Judiciário e para a própria democracia.
Vitória pírrica. Apenas um novo round da eterna luta do bem contra o mal.
