Estatal acumula prejuízos bilionários e pode não ter caixa para salários até o fim de 2025
Os Correios vivem sua pior crise financeira em anos. A estatal já admite a possibilidade de não ter dinheiro em caixa para pagar salários e despesas básicas até o fim de 2025. Caso isso ocorra, a saída será recorrer ao Tesouro Nacional, o que a tornaria empresa dependente e obrigaria o governo a incluir até R$ 20 bilhões no Orçamento Federal.
Simulações internas indicam que o problema de caixa pode surgir já no próximo mês. Para evitar o colapso, a direção da companhia defende um aporte da União entre R$ 5 bilhões e R$ 8,7 bilhões. Mesmo assim, integrantes do governo reconhecem, reservadamente, que a situação é um “beco sem saída”.
O rombo financeiro se agravou em 2025. No primeiro semestre, a estatal perdeu R$ 4,37 bilhões, três vezes mais que em 2024. Apenas no segundo trimestre, o prejuízo chegou a R$ 2,64 bilhões. Parte do resultado negativo decorre de decisões judiciais e do acordo para cobrir déficits do Postalis, fundo de pensão da categoria.
A crise levou o presidente da empresa, Fabiano Silva dos Santos, a colocar o cargo à disposição em julho. O governo, no entanto, ainda não encontrou substituto. O cargo é alvo de disputas políticas entre União Brasil e PT, enquanto não há garantia de socorro financeiro.
A perda de receitas também é atribuída ao programa Remessa Conforme, da Receita Federal, que retirou dos Correios a posição de principal porta de entrada de pequenas encomendas internacionais.
Para conter gastos, a estatal lançou um programa de demissão voluntária, que atraiu 3.500 empregados, e começou a vender imóveis. As medidas podem gerar economia futura, mas o efeito imediato é limitado.
Hoje, os Correios atrasam o pagamento de fornecedores, acumulando passivo estimado em R$ 600 milhões. Em junho, recorreram a um empréstimo de R$ 1,8 bilhão com três bancos, mas há dúvidas sobre a capacidade de quitar a dívida a partir de 2026.
A pressão dos funcionários por reajuste salarial aumenta o risco de greve, que agravaria ainda mais a queda nas receitas. Paralelamente, negociações com o Banco dos Brics para obter US$ 4 bilhões em financiamento estão paradas, já que a empresa não tem indicadores para receber o aval da União.
