Ministro do STF citou aval do ex-presidente ao plano “Punhal Verde e Amarelo” e destacou reação do Judiciário contra a tentativa de golpe
Em evento em Roma, Gilmar Mendes afirmou que Bolsonaro apoiou plano golpista que previa assassinato de autoridades; ministro ressaltou firmeza do STF na defesa da democracia.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou nesta quarta-feira (3), em Roma, que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deu aval ao plano golpista conhecido como “Punhal Verde e Amarelo”, que previa a detenção e até o assassinato de autoridades, segundo noticiou a Folha de S. Paulo.
A declaração ocorreu durante evento sobre Justiça e democracia no contexto das relações Brasil-Itália, no mesmo dia da segunda sessão de julgamento na Primeira Turma do STF sobre a suposta tentativa de golpe de Estado.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o plano foi elaborado por militares de alta patente e figuras do governo, com participação central do general da reserva Mário Fernandes, ex-secretário da Presidência. O procurador-geral Paulo Gonet afirma que Bolsonaro teria dado seu aval ao esquema em reunião no Palácio da Alvorada, em dezembro de 2022.
Ministro elogiou Moraes na condução do processo contra Bolsonaro
Gilmar Mendes destacou que a reação institucional foi fundamental para preservar a democracia brasileira. “Esta poderia ter sido a história de uma debacle; da ruína da democracia brasileira e do mergulho no obscurantismo. Mas, graças à atuação firme das nossas instituições, em especial do Poder Judiciário, ela resistiu e está de pé, mais viva e forte do que nunca”, disse.
O ministro também defendeu maior cooperação internacional na proteção ao Estado de Direito, mencionando redes globais de inimigos da democracia. Em sua fala, criticou medidas de sanção adotadas pelos Estados Unidos e elogiou a atuação do ministro Alexandre de Moraes, alvo de ataques por conduzir o processo contra Bolsonaro.
Mendes também afirmou que o STF “seguirá firme frente às ameaças”, dizendo que a Corte está preparada “para enfrentar, uma vez mais e sempre, com altivez e resiliência, todas as ameaças contra si e sua independência, venham de onde vierem”, concluiu.
