Em entrevista ao programa Estúdio i, da Globo News, líder do PT mostrou indignação com avanço de anistia
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), classificou como “inacreditável” e “irresponsável” a articulação no Congresso Nacional para aprovar uma anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O julgamento de Bolsonaro e de outros réus pela suposto golpe de Estado teve início em 2 de setembro.
Para Lindbergh, discutir a anistia neste momento é uma “provocação infantil” e um “bullying contra o Supremo”. O parlamentar afirmou que a proposta é “claramente inconstitucional” e adiantou que, caso seja aprovada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá vetá-la.
“É como se o Parlamento tivesse entrado na chantagem do Eduardo Bolsonaro (PL-SP), um movimento desse que é de tumultuar o processo. Sinceramente, eu espero que exista por parte das lideranças aqui da Câmara juízo para não pautar esse projeto”, declarou o líder do PT.
A articulação da oposição ganhou força na última semana após Tarcísio de Freitas se envolver ativamente nas articulações. No mesmo programa, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reafirmou que “já teria votos suficientes para aprovar a urgência da proposta”. O petista, porém, contestou a afirmação e disse não ser “certo que eles tenham 257 votos” para aprovar o requerimento.
Segundo Lindbergh, o governo e sua base vão se mobilizar para barrar a medida, porque “é um ataque ao Supremo, é um ataque frontal”. O deputado rebateu o discurso de pacificação usado pela oposição e disse que a anistia não busca conciliação e teria como objetivo “criar confusão e tirar a legitimidade do julgamento do Supremo”.
O deputado citou como precedente do STF para reforçar a inconstitucionalidade da proposta o Caso de Daniel Silveira. Segundo ele, a Corte já barrou a possibilidade de anistia em casos que envolvem crimes contra o Estado Democrático de Direito.
