Leio que Fernando Haddad disse na Band que a megaoperação contra o PCC demonstra a necessidade da PEC da Segurança Pública. Dias atrás, ele também fez coro à tentativa de Lula de responsabilizar Nikolas Ferreira pela decisão do governo de recuar na fiscalização de fintechs.
A limitação cognitiva do ministro da Fazenda é conhecida, assim como a malandragem que deve partir do pressuposto de que o Brasil é um país de otários. Esperto só ele… A atitude de Haddad só confirma o baixo nível ministerial do atual governo, a insistência em perseguir a oposição com apoio do Supremo e uma certa arrogância primária.
Sobre a PEC, ele disse o seguinte:
“A beleza dessa operação é que ela demonstra que o objetivo da PEC da segurança pública, que está no Congresso Nacional, é forçar a integração. Chega da vaidade de órgão para órgão, vamos usar a força do Estado de comum acordo, porque o objetivo só pode ser o de enfrentar a criminalidade.”
Para o ministro, aliás, a operação “foi exemplar”. “Nós trabalhamos com 10 Gaecos em 10 Estados diferentes, nós não atuamos em 1 Estado só. São 1.200 postos que foram atingidos, milhares de veículos utilizados para o transporte de carga. Têm 4 refinarias que foram compradas pelo crime, e não no mesmo Estado.”
Para além da platitudes de sempre, a operação demonstra que a segurança pública não precisa de uma PEC para fazer o seu trabalho. Também demonstra que, quanto mais amplo o esforço de investigação, quanto mais Gaecos e autoridades envolvidas, maior é a chance de vazamento de uma operação. Dos 14 alvos, 8 fugiram, inclusive os chefões.
Quanto maior o controle político de uma investigação, maior a chance dela ser direcionada a determinados alvos, poupando outros. Afinal, o vazamento garantiu a fuga dos principais investigados, impedindo que, caso presos, viessem a entregar seus comparsas na política.
O vazamento só demonstra, Haddad, que o PCC já se infiltrou no Estado.
HADDAD MENTE SOBRE PIX
Sobre a acusação descabida a Nikolas, Lula, seu ministro da Fazenda e até o secretário especial da Receita fizeram as seguintes colocações:
“Um deputado, que não vou dizer o nome dele aqui, fez uma campanha contra uma mudança que a Receita Federal tentou fazer, e que vai ser feita agora. Naquele tempo, a mudança era pra combater o crime organizado. Nós, agora, vamos colocar as fintechs com apuração mais rígida”, disse o presidente.
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“Tem muito crime organizado que está usando as fintechs para lavar dinheiro. (Na ocasião) a Receita aproveitou o ensejo para falar para as Fintechs, vocês vão ter que informar também (transações de alto valor), porque estamos notando que tem um troço esquisito acontecendo aqui, envolvendo combustíveis, envolvendo suspeita de droga, eu quero olhar. Não é achar que o cara tá vendendo bolo na feira para completar o orçamento. É para pegar um volume enorme de dinheiro. Qual o interesse que estava por trás de a gente não monitorar grandes volumes de recursos que passam por instituições que não fazem parte hoje do sistema financeiro?”, disse Haddad.
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“A Receita Federal recebeu o maior ataque da história dela, de mentiras, de fake news, dizendo mentirosamente que aquela instrução normativa tratava de tributação de meios de pagamento. Nós tivemos que dar um passo atrás e revogar essa instrução normativa. E as operações de hoje mostram quem ganhou com essas mentiras, com essas fake news”, disse Robson Barreirinhas.
A choradeira é estratégica. Primeiro, as autoridades acima manipulam o debate desconhecendo que o discurso do deputado do PL tinha como alvo o monitoramento de transações de baixo valor (R$ 5 mil), justamente de quem faz bolo para complementar o orçamento; e não daqueles que movimentam bilhões para o crime organizado.
Segundo que, se um governo abre mão de uma medida de combate ao crime em função da repercussão negativa de um vídeo gravado por um deputado, demonstra que não possui convicção sobre suas políticas públicas.
Terceiro, as autoridades que revogaram a medida devem ser responsabilizadas pelo ato de ofício que garantiu ao crime organizado seguir atuando. O nome disso é prevaricação.
Quarto, as acusações em si desconsideram que a Operação Carbono Oculto cobriu o período de 2020 a 2024, sendo que o vídeo de Nikolas foi feito em janeiro de 2025, sem qualquer influência naquelas movimentações, portanto.
Lula, Haddad, Barreirinhas e seus aliados devem ficar atentos, pois o Supremo hoje considera ataque à democracia o uso de desinformação para manipular a narrativa, a fim de forçar medidas de força ou eximir-se de responsabilidade.
