Itamaraty chama comunista de peruca para palestrar para seus servidores - Claudio Dantas
Brasília, Terça, 23 de junho de 2026
Cultura

Itamaraty chama comunista de peruca para palestrar para seus servidores

Guilherme Terreri (Rita von Hunty), à frente, e internos do campo de concentração cubano ao fundo (1967). Fotos: Reprodução/YouTube e María Elena Solé/Letras Libres.
Guilherme Terreri (Rita von Hunty), à frente, e internos do campo de concentração cubano ao fundo (1967). Fotos: Reprodução/YouTube e María Elena Solé/Letras Libres.

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Por Eli Vieira

Jornalista e Biólogo

Em meio a uma crise diplomática, o Ministério das Relações Exteriores convidou para palestrar para seus servidores nesta quarta, às 15h30, o influenciador Guilherme Terreri Lima Pereira, mais conhecido por seu nome de guerra “Rita von Hunty”, uma drag queen comunista.

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O convite partiu da Divisão de Saúde e Segurança do Servidor (DSS) do Itamaraty. O material de divulgação cita o MRE, a DSS, a Associação dos Diplomatas do Brasil (ADB) e o sindicato de servidores do ministério, Sinditamaraty.

A palestra foi patrocinada pelo Sinditamaraty e pela ADB Sindical. Anteriormente, um funcionário do Sinditamarty havia alegado que o patrocínio não era deles (20/08/2025, 14h). O artigo foi corrigido (25/08/2025, 13h) após contato da diretoria.

Segundo o material, a palestra, de título “Lideranças Inclusivas”, acontece “no âmbito da Campanha Permanente de Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação”. “Rita” é descrita como “educadora, filósofa, artista, crítica cultural e referência em debates sobre diversidade, inclusão e justiça social”.

Comunista de peruca e seus heróis

Guilherme Terreri nasceu em 1990, um ano após a queda do Muro de Berlim. Em texto de maio de 2022 para a revista Carta Capital, ele diz que é “uma comunicadora comunista”. É de extrema esquerda, portanto, pois defende uma ideologia que já matou dezenas de milhões em nome da “igualdade”.

Terreri, um homem gay, jamais comentou dois fatos bem conhecidos sobre como líderes comunistas famosos trataram homens gays.

Primeiro, o ditador cubano Fidel Castro mandava gays para campos de concentração conhecidos como UMAPs (Unidades Militares de Ajuda à Produção), só por serem gays. Cerca de 30 mil pessoas passaram pelos trabalhos forçados. Como colocou o jornal El País, “homossexuais e religiosos predominavam” entre os internos.

O segundo fato é que o argentino Che Guevara, que ajudou a estabelecer o regime ditatorial de Castro e a abrir o primeiro campo de concentração em Guanahacabibes, chamava os gays de “pervertidos sexuais” que conflitavam “com o conceito que temos do que deve ser um militante comunista”.

Guevara supervisionou pessoalmente a execução sumária de pessoas rotuladas como opositores, informantes dos Estados Unidos ou “contrarrevolucionárias”. Ele era racista e associava negros à “falta de afinidade pelo banho” em seu famoso diário. Essa parte não costuma ser incluída em filmes que o romantizam. O primo do revolucionário, Alberto Benegas Lynch Jr., afirmou que Guevara gostava de torturar animais, característica diagnóstica de psicopatia e comum em assassinos em série.

Festival de besteiras

“Montado” em seus vídeos com a personagem Rita, Terreri usa um vocabulário rebuscado e, em pronunciamentos oraculares e pseudoprofundos, emite absurdos com frequência.

Por exemplo, “Rita” já criticou a família tradicional alegando que a monogamia foi criada para validar o “capitalismo”. Isso, é claro, não encontra respaldo das ciências que de fato estudam o comportamento humano.

“Sem monogamia, não existe capitalismo”, disse Terreri numa palestra no Instituto Federal do Rio Grande do Sul, em março de 2022. “Para quem vai ficar a herança? E sem herança, não tem bilionário. Sem herança, não tem mercado de capitais. Sem herança, não tem monopólio. Sem herança, não tem a família Marinho. Está entendendo onde quero chegar?”, disse o influenciador.

“Se você não está entendendo, a culpa é sua, porque eu fiz o meu melhor”, acrescentou.

Até onde pude apurar, não houve, em todo o governo anterior, um convite a qualquer influenciador de direita tão ideologicamente extremo quanto “Rita von Hunty” para palestrar no Itamaraty.

O Auditório Wladimir Murtinho, onde Terreri está ministrando palestra, geralmente abriga eventos institucionais, seminários com ministros, autoridades estrangeiras e acadêmicos.

Outras pérolas de Terreri:

  • “Entre 2002 e 2014… o crescimento carcerário foi de mais de 620%”. Onde: Cartal Capital. Quando: 30 de novembro de 2023. Crescimento real: 161%.
  • “Hoje, quase a totalidade dos alimentos industrializados no Ocidente pertence a 10 empresas”. Onde: Instagram. Quando: junho de 2024. O exagero foi adaptado de publicações da ONG Oxfam, que faz alarmismo anualmente a respeito de “desigualdade” ignorando fatos como a mobilidade social de cada categoria de renda.
  • “O colonialismo criou o binarismo de gênero”. Onde: YouTube, canal do comunista Jones Manoel. Quando: 2023. Não acho que seja necessário explicar por que a afirmação é ridícula, mas, em caso de dúvida, consulte o capítulo sobre sexo e gênero do meu livro, “Mais iguais que os outros” (Avis Rara, 2025).
  • “Sem dinheiro, não tem liberdade nenhuma”. Onde: Intercept Brasil. Quando: julho de 2024. Essa é uma reciclagem da deturpação de liberdade criada pelos comunistas em oposição explícita aos valores liberais, Isaiah Berlin chama de “liberdade positiva”.
  • “Se o Bolsonaro é capaz [de amor], então não é [amor]. Se esse ser humano ama, então foda-se o amor. Joga essa merda fora”. Onde: Podcast Louva a Deusa. Quando: maio de 2025.

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