"Há outra crise pior que pode nos atingir em 90 dias", alerta senador nos EUA - Claudio Dantas
Brasília, Sábado, 04 de julho de 2026
Política

“Há outra crise pior que pode nos atingir em 90 dias”, alerta senador nos EUA

Senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI.
Senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI.

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Senadores alertam para nova sanção dos EUA ao Brasil por comércio com Rússia

Durante missão (que não obteve êxito) em Washington para tentar reverter a tarifa de 50% sobre aço e alumínio brasileiros, senadores brasileiros foram alertados por parlamentares dos EUA sobre uma possível nova crise. Democratas e republicanos discutem a aprovação de uma lei que prevê sanções automáticas a países que mantêm relações comerciais com a Rússia.

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“Há outra crise pior que pode nos atingir em 90 dias”, disse o senador Carlos Viana (Podemos-MG). Segundo ele, o texto em discussão prevê punições legais, e não mais dependentes do Executivo. “Será uma lei americana. Os dois partidos foram claros que aprovarão essa lei”, afirmou.

O alerta se concentra nas importações brasileiras de fertilizantes e derivados de petróleo russos, insumos fundamentais para o agronegócio e o setor energético.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, relatou que a insatisfação americana foi expressa de forma direta. “Esse assunto é sensível. Eles acreditam que, ao comprar da Rússia, o Brasil dá munição para o país continuar com a guerra”, disse. Ela informou que a questão será incluída no relatório oficial da missão ao retornar ao Brasil.

O senador Marcos Pontes (PL-SP) mencionou que as sanções poderiam chegar a até 500% sobre produtos oriundos de países que continuarem a negociar com Moscou.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), rebateu as críticas. “O Brasil compra fertilizantes por necessidade, não por escolha política”, declarou. Ele lembrou que a importação de combustíveis é feita por empresas privadas, e não pelo governo. Para Wagner, o tema deve ser tratado com cautela: “Primeiro, precisa chegar a lei. Segundo, a diplomacia brasileira é historicamente multilateral.”

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), que lidera a comitiva, disse que o tema será discutido com autoridades brasileiras. Uma das alternativas cogitadas é negociar uma cláusula de exceção na legislação americana para países que comprovarem a necessidade técnica de importações russas.

Trad avaliou que a missão cumpriu o objetivo de abrir diálogo com os dois partidos nos EUA. A comitiva também apoia uma carta da Câmara de Comércio Brasil-EUA pedindo o adiamento da tarifa. Tereza Cristina afirmou que senadores americanos foram acionados para reforçar politicamente o pedido. “Seria muito importante a gente ter um tempo de negociação, já que o Brasil foi o único país com prazo de apenas 20 dias para responder”, disse.

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