Filipe Martins nega ter levado “documento golpista” a comandantes - Claudio Dantas
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

Filipe Martins nega ter levado “documento golpista” a comandantes

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Ex-assessor relata que registros de entrada na residência oficial eram feitos manualmente pelo GSI

O ex-assessor da Presidência Filipe Martins afirmou em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) que nunca apresentou, às 8h de 7 de dezembro de 2022, um “documento golpista” aos comandantes das Forças Armadas, como sustenta a acusação.

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Ele disse ter aguardado quase dois anos para prestar esclarecimentos e relatou que não foi interrogado pela Polícia Federal (PF) porque sua defesa não obteve acesso aos autos na ocasião em que compareceu à sede, em 22 de fevereiro de 2024.

Questionado sobre o tempo de espera para exercer o direito de defesa, Martins respondeu: “Quase dois anos, com diversos pedidos, diversos protestos nos autos, diversas solicitações, não apenas feitas pela minha defesa, como também por diversos veículos de imprensa”. Segundo ele, a oitiva atende ao interesse público e ao exercício da liberdade de imprensa.

Martins relatou ter comparecido à PF em 22 de fevereiro de 2024, mas disse que sua defesa não havia conseguido acesso aos autos. Por isso, comunicou ao delegado que permaneceria em silêncio, embora registrasse informações que considerava relevantes. Entre elas, afirmou que não deixou o Brasil em dezembro de 2022 e que sua última saída do país ocorreu em setembro de 2022, quando viajou a Londres e Nova York. Também informou ter viajado com a esposa em voo comercial para Curitiba e, posteriormente, para Ponta Grossa (PR).

O ex-assessor descreveu o controle de entradas no Palácio da Alvorada como manual, feito “por escrito, em documentos manuscritos” pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Disse que, em muitas ocasiões, o procedimento era “superficial”, com a identificação feita na portaria e a liberação após contato com o ajudante de ordens do presidente.

Segundo Martins, não havia solicitação sistemática de crachá ou documento de identificação e era comum a liberação de veículos mediante informação prévia da placa. Ele apontou ainda registros em que mais de uma pessoa entrava no mesmo carro ou pessoas que frequentavam o local eram registradas sob um único nome.

A defesa exibiu documento obtido via Lei de Acesso à Informação (LAI), respondido pela Controladoria-Geral da União (CGU) com apoio do GSI e da Secretaria de Segurança Institucional, que lista autoridades presentes no Palácio da Alvorada após outubro de 2022. Martins explicou que, quando era assessor, era comum responder a pedidos de informação sobre sua agenda, compromissos e reuniões.

Segundo ele, uma ONG solicitou em janeiro de 2023 dados sobre registros de entrada e viagens, em meio ao debate público sobre sigilos impostos pelo governo anterior.

Indagado sobre o ponto central da acusação — a suposta apresentação, às 8h de 7 de dezembro de 2022, de um documento aos comandantes das Forças —, Martins respondeu: “Nunca.”

Martins afirmou que, quando se deslocava ao Alvorada, permanecia à disposição para demandas da área internacional ou outros assuntos. Disse que, em diversas ocasiões, não era chamado e retornava ao trabalho após aguardar em sala específica.

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