A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (22), a operação Route 156, que investiga um esquema de desvios de recursos públicos e fraudes em licitações no Amapá. A ação aponta o empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), como líder de um grupo que manipulava contratos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no estado. As irregularidades envolvem a rodovia BR-156, com licitações que totalizam R$ 60 milhões.
A Justiça Federal identificou mensagens que sugerem tráfico de influência. Em uma delas, o chefe do Dnit no Amapá, Marcello Linhares, pede a Chaves que interceda junto a Alcolumbre para pressionar o governo pela liberação de verbas. Outra conversa, de 25 de outubro de 2023, mostra Linhares agradecendo ao suplente por um aumento de repasses de R$ 30 milhões para R$ 58 milhões, creditando o feito à atuação do senador.
Para a Justiça, as evidências indicam que Chaves usava sua proximidade com Alcolumbre para obter vantagens indevidas.

A investigação aponta que Chaves, ligado à empresa LB Construções, vencedora de licitações da BR-156, e a contratos com a Codevasf, integrava uma organização criminosa. O grupo fraudava pregões eletrônicos com propostas fictícias e cláusulas restritivas nos editais, comprometendo a concorrência.
Por hora, a PF e o Ministério Público Federal descartam envolvimento direto de Alcolumbre, afirmando não haver indícios de sua participação nos crimes. O caso segue na primeira instância, sem foro privilegiado.
A assessoria de Alcolumbre afirmou que o senador não mantém relação com as empresas investigadas nem com as atividades de Chaves. A nota reforça o compromisso do parlamentar com a transparência e a confiança de que os envolvidos esclarecerão os fatos à Justiça.
