Urgente: Trump anuncia tarifas de 50% ao Brasil - Claudio Dantas
Brasília, Terça, 23 de junho de 2026
Brasil

Urgente: Trump anuncia tarifas de 50% ao Brasil

Trump coloca Brasil na mira com tarifas de 50%:

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Por Henrique Soldani

Casa Branca inaugura sanções por “ataques insidiosos contra eleições livres” e “violação da liberdade de expressão”

Donald Trump enviou nesta quarta-feira 9 uma carta a Lula para informá-lo da imposição de tarifas de 50% sobre a importação de produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, caso o Brasil não ajuste suas práticas comerciais.

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O presidente americano afirmou que a nova tarifa — que representa um aumento significativo em relação à alíquota de 10% que os EUA impuseram ao Brasil no início de abril — é resultado de uma relação comercial considerada “muito injusta”.

Mas a medida é também uma retaliação diplomática ao que ele classificou como “ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos”.

“Como demonstrado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil, que emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS a plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado de mídia social brasileiro”, escreveu Trump.

Na carta, Trump reafirma que a “forma como o Brasil tratou o ex-presidente Bolsonaro é uma vergonha internacional”. Para o presidente norte-americano, o julgamento e as investigações envolvendo o ex-presidente brasileiro configurariam uma “caça às bruxas” que deveria “encerrar imediatamente”.

Investigação sobre comércio

No texto, Trump menciona ainda a abertura de uma possível “investigação da Seção 301”, em referência a um dispositivo da Lei de Comércio de 1974 que autoriza o Representante de Comércio dos EUA (USTR) a apurar práticas consideradas “injustas” ou “discriminatórias” de países parceiros.

O inquérito, que pode durar até 12 meses, reúne indícios sobre subsídios, barreiras tarifárias ou censura a empresas estrangeiras.

Se o USTR concluir que há violação, Washington fica legalmente habilitada a impor sanções adicionais — como sobretaxas, quotas de importação ou suspensão de benefícios — sem precisar de aval do Congresso. Foi esse mecanismo, por exemplo, que embasou as tarifas de bilhões de dólares aplicadas contra a China em 2018.

Para o Brasil, a abertura de um processo 301 significaria não apenas a nova tarifa de 50%, mas a perspectiva de punições ainda mais severas caso o governo não reformule rapidamente suas políticas comerciais e de regulação digital.

Na prática, caso o governo Lula resolva retaliar também com imposição de tarifas, o governo dos EUA aplicará mais 50% de taxas ao comércio bilateral.

A carta inaugura o período de sanções que devem incluir medidas individuais contra Alexandre de Moraes e outras autoridades envolvidas em ações contra a liberdade de expressão.

Nos últimos dias, Trump sinalizou que reagiria também à postura do governo Lula contra os interesses dos EUA no âmbito do BRICS, com a criação de uma moeda comum do bloco em detrimento do dólar.

Mais cedo, a embaixada americana publicou nota endossando as declarações de Trump, o que levou o Itamaraty a convocar o encarregado de negócios da embaixada para prestar esclarecimentos.

Leia a carta na íntegra:

Prezado Sr. Presidente:

Conheci e lidei com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o respeitei profundamente, assim como a maioria dos outros líderes de países. A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro — um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos — é uma vergonha internacional.

Este julgamento não deveria estar acontecendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!

Devido em parte aos ataques insidiosos do Brasil às Eleições Livres e ao direito fundamental à Liberdade de Expressão dos americanos (como recentemente ilustrado pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro, que emitiu centenas de ordens SECRETAS e ILEGAIS de censura contra plataformas de Mídias Sociais dos EUA, ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado de Mídias Sociais brasileiro), a partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos do Brasil uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros enviados aos Estados Unidos, separadamente das Tarifas Setoriais.

Mercadorias transbordadas para burlar essa tarifa de 50% estarão sujeitas à tarifa mais alta.

Além disso, tivemos anos para discutir nossa relação comercial com o Brasil, e concluímos que devemos nos afastar do relacionamento antigo e muito injusto gerado pelas Tarifas e Políticas Não-Tarifárias do Brasil, bem como por Barreiras Comerciais. Nosso relacionamento tem sido, infelizmente, longe de ser recíproco.

Por favor, entenda que a tarifa de 50% é muito menor do que o necessário para que haja igualdade de condições entre nossos países. E é necessário ter isso para corrigir as graves injustiças do regime atual.

Como é de seu conhecimento, não haverá tarifa se o Brasil, ou empresas dentro do seu país, decidirem construir ou fabricar produtos dentro dos Estados Unidos e, de fato, faremos tudo o que for possível para que as aprovações sejam feitas rapidamente, de forma profissional e rotineira — em outras palavras, em questão de semanas.

Se, por qualquer razão, o senhor decidir aumentar as suas tarifas, seja qual for o percentual escolhido, ele será somado aos 50 % que cobraremos.

Por favor, entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de políticas tarifárias e não tarifárias e de barreiras comerciais do Brasil, que vêm gerando déficits comerciais insustentáveis para os Estados Unidos. Esse déficit é uma séria ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional!

Além disso, devido aos contínuos ataques do Brasil às atividades de comércio digital de empresas americanas, bem como a outras práticas comerciais desleais, estou instruindo o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma investigação da Seção 301 sobre o Brasil.

Se o senhor desejar abrir os seus até agora fechados mercados de comércio aos Estados Unidos e eliminar as suas tarifas, políticas não tarifárias e barreiras comerciais, poderemos, talvez, considerar um ajuste a esta carta.

Essas tarifas poderão ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo da nossa relação com o seu país. O senhor jamais se decepcionará com os Estados Unidos da América. Agradeço sua atenção a este assunto! Com os melhores votos, subscrevo-me,

Atenciosamente, [assinado]

DONALD J. TRUMP

PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

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