O Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito civil para apurar supostas irregularidades cometidas pela XP Investimentos em operações estruturadas conhecidas como “Collar com ativo UI”. A investigação foi instaurada a partir de denúncia de um consumidor e ainda está em fase inicial.
A operação investigada, comum em países como o Chile, tem como objetivo limitar perdas e ganhos em investimentos indexados à inflação. A estrutura técnica é utilizada por investidores institucionais para reduzir riscos e garantir previsibilidade. No entanto, tem gerado críticas quanto à forma como é oferecida a investidores pessoas físicas.
A XP declarou, em nota, que “reitera o compromisso com a transparência, a adequada classificação do perfil de investidor e o pleno cumprimento das normas regulatórias”, e disse colaborar com as autoridades.
A corretora já havia enfrentado repercussão negativa recentemente ao tentar impedir a divulgação de um documentário do influenciador Daniel Penin. O vídeo, que associa a XP a práticas semelhantes a esquema de pirâmide, foi suspenso por ordem judicial após pedido da própria empresa. Mesmo assim, o conteúdo foi publicado dias depois e já ultrapassou 700 mil visualizações.
A tentativa de censura reacendeu as denúncias de má conduta. Parte das críticas aponta que a atuação de agentes autônomos, comissionados por vendas, teria impulsionado a oferta inadequada de produtos como COEs, CRIs e CRAs a clientes comuns.
Em março, a consultoria americana Grizzly Research publicou um relatório acusando a XP de atuar em modelo similar a um esquema Ponzi, sustentado pela venda de produtos estruturados e pela gestão dos fundos Gladius e Coliseu. A empresa rechaçou as acusações e anunciou medidas legais contra a consultoria, classificando o material como “fake news”.
A XP é uma das maiores corretoras do país, com cerca de 4,5 milhões de clientes.
