O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou nesta quarta-feira (18) a taxa Selic para 15% ao ano, levando o Brasil ao segundo lugar no ranking dos maiores juros reais do mundo, atrás apenas da Turquia. O país agora tem uma taxa real de 9,53%, segundo levantamento que compara 40 economias das Américas, Europa, Ásia, África e Oceania.
O aumento coloca a Selic no maior nível desde julho de 2006, quando, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os juros básicos estavam em 15,25%.
O último aumento foi em maio, quando a Selic subiu para 14,75%
A decisão do Copom foi tomada em meio a um cenário de instabilidade internacional, com o comitê citando incertezas na economia dos Estados Unidos, especialmente sobre as políticas fiscal e comercial adotadas por Washington.
“O ambiente externo mantém-se adverso e particularmente incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, principalmente acerca de suas políticas comercial e fiscal e de seus respectivos efeitos. Além disso, o comportamento e a volatilidade de diferentes classes de ativos também têm sido afetados, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário segue exigindo cautela por parte de países emergentes em ambiente de acirramento da tensão geopolítica”, disse o Copom no comunicado.
Além das tensões externas, o Banco Central também levou em conta a inflação futura para justificar a decisão. O cálculo da taxa real considera a diferença entre a Selic nominal e a inflação projetada, neste caso, 4,72% nos próximos 12 meses, conforme estimativa do Boletim Focus. Também foi usada como referência a taxa de juros DI a mercado, com vencimento em julho de 2026.
O Copom sinalizou que, se o cenário permanecer dentro das projeções, poderá interromper o ciclo de alta dos juros na próxima reunião, para avaliar os impactos das medidas já adotadas. Contudo, o comitê reforçou que seguirá vigilante e não hesitará em realizar novos ajustes caso considere necessário para assegurar a convergência da inflação à meta.
A decisão surpreendeu parte do mercado financeiro. Levantamento do próprio Banco Central, feito com mais de 130 instituições, indicava que a maioria dos analistas apostava numa pausa já nesta reunião, após seis aumentos consecutivos iniciados em setembro do ano passado. Ainda assim, algumas consultorias e bancos projetavam o aumento para os atuais 15%, agora confirmados.
Com a nova taxa, o Brasil só fica atrás da Turquia, que lidera o ranking com juros reais de 14,44%. A posição reforça o peso da política monetária sobre o consumo, o crédito e o crescimento econômico no país, com efeitos que devem ser sentidos nos próximos meses.
