Advogados pedem suspensão da ação penal até o fim da instrução dos demais núcleos
A defesa do general Walter Braga Netto peticionou ao STF solicitando a realização de uma acareação entre o ex-ajudante de ordens Mauro Cid e o próprio Braga Netto. O requerimento foi protocolado no âmbito da ação penal que apura suposta tentativa de golpe de Estado envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os advogados de Braga Netto destacam que há contradições claras entre os depoimentos prestados por ele e por Mauro Cid. As divergências principais dizem respeito a uma reunião ocorrida em 12 de novembro de 2022 na residência do general e à suposta entrega de dinheiro para financiar o chamado plano “Punhal Verde e Amarelo”.
Segundo a defesa, a acareação é necessária para esclarecer os pontos conflitantes, especialmente porque Cid, delator no processo, não apresentou provas materiais que sustentem suas acusações.
Além da acareação, os advogados pedem que a ação penal seja suspensa até que sejam concluídas as instruções dos outros “núcleos” da investigação, que também tratam de episódios ligados a Braga Netto. Eles querem ter acesso integral aos interrogatórios de réus desses outros grupos, incluindo depoimentos de Hélio Ferreira Lima, Rafael Martins de Oliveira e Ailton Barros, apontados como peças importantes para a estratégia de defesa.
Outro ponto central do pedido é a análise detalhada do material bruto disponibilizado pela Polícia Federal. A defesa alega dificuldades técnicas para acessar e processar os dados, além de destacar a quantidade expressiva de informações e o fato de o general estar preso, o que dificulta a comunicação e o planejamento jurídico.
Os advogados requerem um prazo de, no mínimo, 30 dias para concluir a análise do conteúdo, com a reabertura do prazo para apresentação de manifestações finais após esse período.
A defesa reforçou que o objetivo não é atrasar o andamento do processo, mas garantir o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, conforme previsto na Constituição.
