Hugo Motta negocia alternativas com Haddad ainda nesta semana
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (2) que a taxação de transações com criptomoedas pode ser uma alternativa ao aumento do IOF proposto pelo Ministério da Fazenda. A ideia é evitar que o governo onere ainda mais a população com novos impostos, como vem tentando fazer por meio de decretos.
Segundo Motta, essa é uma das possibilidades em análise, mas ele frisou que ainda não há nenhum acordo fechado.
“Vamos trabalhar para um acordo sair nessa semana. Vamos conversar com Fernando Haddad”, disse.
Na semana passada, Motta já havia dado um prazo de dez dias para que o governo Lula apresentasse uma alternativa ao aumento do IOF. Caso não haja proposta viável, a Câmara dos Deputados deve avançar com a votação de um projeto que derruba o decreto editado pela Fazenda.
Paralelamente, há discussões em andamento para alterar o projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda, sob relatoria do ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). A ideia é incluir medidas de alívio fiscal, como o corte de parte dos R$ 691 bilhões em isenções e benefícios tributários, mantendo o Simples Nacional fora do alcance dessa tesoura.
“O Progressistas apresentou esta proposta, com a perspectiva de corte linear, ressalvando o Simples. Só precisamos ajustar o percentual de corte”, explicou o líder do partido, deputado Doutor Luizinho (RJ), ao jornal O Globo.
O impasse surgiu após o governo anunciar, na semana passada, a elevação do IOF em várias operações. A alíquota subiu de 3,38% para 3,50% no caso de cartões de crédito, débito e pré-pagos usados no exterior. Para compra de moeda em espécie, o imposto saltou de 1,10% para os mesmos 3,50%.
A proposta inicial da Fazenda incluía também uma taxação de 3,5% sobre o envio de recursos para investimentos no exterior, o que gerou forte reação negativa do mercado, forçando o governo a recuar nesse ponto. Esse tipo de remessa é prática comum entre investidores que buscam diversificar aplicações, mas o apetite arrecadatório do governo Lula não tem dado trégua.
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