O atual ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), reuniu-se com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, dentro do ministério em janeiro de 2023, no início do governo Lula, segundo apuração divulgada pelo Metrópoles.
Também participaram três ex-dirigentes do INSS investigados por envolvimento em fraudes de roubos em aposentadorias: André Fidelis (Benefícios), Alexandre Guimarães (Governança) e Virgílio Oliveira Filho (Procuradoria-Geral). Nenhuma das agendas foi registrada oficialmente.
Na ocasião, Wolney ainda era deputado federal e havia sido indicado para a Secretaria Executiva da Previdência, cargo que assumiu em fevereiro. Ele foi o número 2 da pasta até maio deste ano, quando Carlos Lupi deixou o ministério após a Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que mirou o esquema de R$ 6,3 bilhões em fraudes.
A reunião de 12 de janeiro também contou com Rogério Soares de Sousa, ex-superintendente do INSS no Nordeste, e Marcos de Brito Campos Júnior, que foi diretor da superintendência regional e, desde outubro de 2023, é diretor de Administração e Finanças do Dnit.
Segundo nota enviada ao portal, Wolney afirmou que a reunião foi organizada por Virgílio Oliveira “com o intuito de apresentar ao futuro secretário executivo um panorama técnico da pasta”. Afirmou ainda que não teve conhecimento prévio dos participantes.
“O grupo foi montado por ele sem anuência prévia de Wolney sobre os participantes”, diz o texto.
A Polícia Federal aponta o lobista como o principal operador do esquema. Ele teria recebido valores de entidades envolvidas nas fraudes e repassado propina a dirigentes do INSS. Os pagamentos foram identificados entre 2023 e 2024:
- Virgílio Oliveira Filho: R$ 11,9 milhões (R$ 7,5 milhões do lobista);
- André Fidelis: R$ 5,1 milhões (R$ 1,46 milhão do lobista);
- Alexandre Guimarães: R$ 313,2 mil do lobista.

O Careca do INSS também transferiu um Porsche de R$ 500 mil à esposa de Virgílio.
Em março de 2023, o lobista teve outro encontro fora da agenda com Adroaldo da Cunha Portal (PDT), então secretário executivo e sucessor de Wolney no cargo. Ele estava acompanhado de representantes de correspondentes bancários de empréstimos consignados.
No Senado, em 15 de maio, o ministro negou ter relação com investigados:
“Olha, eu posso ter, eventualmente, me encontrado com alguns deles, não me lembro de tê-los recebido, mas eventualmente posso ter recebido. O nosso ministério recebe dezenas de pessoas, e eu não tenho nenhuma lembrança de conhecê-los, nem tenho nenhuma relação com eles. Relação com eles, de certeza, eu posso garantir que não tenho qualquer relação.”
