O ex-diretor-geral da Polícia Federal, Márcio Nunes, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (27), que o então ministro da Justiça, Anderson Torres, pediu que a PF mantivesse no segundo turno das eleições de 2022 o mesmo nível de atuação empregado no primeiro turno. Nunes foi ouvido como testemunha de defesa no processo que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado.
Segundo ele, a solicitação foi feita em reunião com representantes da segurança pública. “Torres repassou que não deveríamos esmorecer e que o trabalho deveria continuar com o mesmo ímpeto”, declarou. Nunes negou qualquer conversa sobre ações para prejudicar o deslocamento de eleitores ou desvio de finalidade: “Desconheço qualquer plano insidioso”.
Questionado sobre a live em que Jair Bolsonaro atacou as urnas eletrônicas, Nunes disse que Torres foi convocado pela Presidência e que apenas leu trechos de um relatório técnico da PF. “Ele me disse que foi chamado. Comentou depois que leu um trecho do relatório, feito anteriormente por peritos da Polícia Federal.”
Nunes também negou ter conhecimento de qualquer articulação para golpe: “Em nenhum momento houve qualquer tipo de insinuação ou apresentação de plano nesse sentido”.
Outro depoente também nega direcionamento político
Alessandro Moretti, que era diretor de inteligência da PF em 2022 e hoje é investigado no caso da suposta “Abin paralela“, afirmou que participou de reuniões com Torres durante o período eleitoral, mas não ouviu ordens para direcionamento político das ações da PF.
Segundo ele, o policiamento foi reforçado conforme a tradição da corporação em períodos de eleição. “Nunca ouvi nenhuma orientação que não fosse institucional”, declarou. “Sempre nos foi dito que a atuação deveria ser como sempre foi: ostensiva, preventiva e dentro da legalidade.”
Torres é réu no STF por suposta participação em organização criminosa voltada à tentativa de impedir a posse de Lula. A Procuradoria-Geral da República o acusa de omissão deliberada nos atos do 8 de Janeiro e de integrar um esquema golpista desde 2021. Ele nega todas as acusações.
