O ministro da Fazenda Fernando Haddad declarou nesta sexta-feira (23) que o presidente do Banco Central Gabriel Galípolo não tem responsabilidade por decisões exclusivas da Fazenda. A fala respondeu à repercussão negativa do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos de fundos brasileiros no exterior, medida posteriormente revista.
Haddad afirmou que mantém conversas frequentes com Galípolo sobre temas econômicos, mas o decreto que alterava o IOF não foi discutido em detalhes com o Banco Central. “Houve troca de informações. A questão é qualificar o nível da conversa para evitar que ele responda por atribuições da Fazenda” disse o ministro.
Na quinta-feira (22), o secretário-executivo da Fazenda Dario Durigan mencionou que Haddad tratou do tema com Galípolo. No entanto, o ministro esclareceu na rede social X que nenhuma medida foi negociada com o Banco Central. “Sobre as medidas fiscais anunciadas, esclareço que nenhuma delas foi negociada com o BC” publicou Haddad.
Sobre as medidas fiscais anunciadas, esclareço que nenhuma delas foi negociada com o BC.
— Fernando Haddad (@Haddad_Fernando) May 22, 2025
A proposta de aumento do IOF previa arrecadar R$ 20,5 bilhões em 2025. Após rejeição do mercado financeiro, o governo excluiu do decreto o trecho que elevava a tributação sobre aplicações de fundos no exterior. A cobrança permanece inalterada.
Haddad minimizou o recuo. “Corrigir rota não é problema, desde que o rumo do equilíbrio fiscal seja mantido” afirmou. Ele relatou ter recebido observações de profissionais do mercado alertando que a medida poderia gerar ruídos e interpretações erradas. Segundo o ministro, Fazenda e Banco Central mantêm diálogo sobre a política econômica e a organização das contas públicas, mas sem interferência em decisões formais.
