Dados da Controladoria-Geral da União (CGU), que fundamentaram a Operação Sem Desconto da Polícia Federal, apontam que 42,4% dos aposentados e pensionistas desconhecem o aplicativo Meu INSS, enquanto 25,1% conhecem, mas nunca o utilizaram. Apesar disso, o governo passou a exigir biometria para novos empréstimos consignados, medida que depende do uso do aplicativo.
O relatório da CGU destaca que o baixo uso de ferramentas digitais dificulta a identificação de descontos não autorizados em folhas de pagamento, favorecendo fraudes, conforme revelam as investigações. Mesmo assim, o governo optou por digitalizar a contestação de descontos indevidos, realizados por sindicatos e associações, por meio da plataforma do INSS.
Especialistas, no entanto, defendem a manutenção do atendimento presencial, sobretudo para trabalhadores rurais e idosos com pouca familiaridade tecnológica.
O Índice de Alfabetismo Funcional (Inaf) de 2024 revela que quase metade das pessoas entre 50 e 64 anos apresenta baixo desempenho em tarefas digitais simples, com apenas 6% demonstrando alta performance.
Para o sociólogo Pedro Almeida, da Universidade Estadual do Ceará (UECE), o desafio envolve três barreiras: conhecimento do aplicativo, acesso à tecnologia e habilidade para usá-lo. “Um canal físico de atendimento segue essencial”, afirma.
Em resposta, o Ministério da Previdência anunciou que a Dataprev desenvolve um sistema para integrar dados do INSS com Correios e Caixa Econômica Federal, ampliando opções presenciais. A estatal, criticada por falhas no cumprimento de recomendações do TCU que poderiam ter contido fraudes, busca agora aprimorar sua imagem.
