O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton David, afirmou que a inflação no Brasil pode não desacelerar nos próximos 5 meses. A delaração foi feita mais cedo durante a live “Conjuntura e Política Monetária”, promovida pelo Itaú BBA.
David destacou que o BC elevou a taxa básica de juros, a Selic, para um nível restritivo, mas ressaltou que o ciclo de ajuste ainda não foi concluído.
“A pergunta agora é: ‘Como vão ser os próximos meses, em que o esperado é que a inflação não arrefeça nos próximos 3, 4 ou 5 meses talvez, e como vai ser a dinâmica das expectativas do mercado e o comportamento dos agentes [financeiros]? Com base nisso, a gente vai calibrar [a taxa Selic]”, afirmou.
O diretor também abordou o forward guidance, instrumento utilizado pelo Banco Central para sinalizar ao mercado os próximos passos da política monetária. Em março, a instituição indicou uma nova alta da Selic para maio, mas sem definir o tamanho do reajuste, que pode ser de 0,25, 0,5 ou 0,75 ponto percentual.
“Para ter um forward guidance, que deveria ser tido como algo extraordinário, demanda uma elevada convicção de onde que a gente deve estar no momento futuro no Banco Central e que essa informação traga uma redução no mercado sobre volatilidade”, destacou.
A última vez que o Banco Central utilizou o forward guidance foi em dezembro de 2024, quando indicou duas altas de 1 ponto percentual, uma em janeiro e outra em março de 2025.
Além das expectativas para os juros, o Banco Central reduziu a projeção de crescimento do PIB para 2025, passando de 2,1% para 1,9%. Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a instituição afirmou que a desaceleração da economia é um “elemento necessário” para trazer a inflação à meta de 3%.
O intervalo da meta varia entre 1,5% e 4,5%. Em fevereiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou 5,06%. O Banco Central projeta que o indicador suba para 5,6% em março e permaneça próximo de 5,5% nos meses seguintes.
Na última reunião do Copom, a Selic foi elevada para 14,25% ao ano. Os diretores do Banco Central sinalizaram que os juros devem subir novamente no próximo encontro, em maio, mas com um aumento de “menor magnitude”.
