Trabalhadores pegam 1,3 bi de "empréstimo do Lula" - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Trabalhadores pegam 1,3 bi de “empréstimo do Lula”

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O novo modelo de crédito consignado para trabalhadores CLT, lançado pelo governo, liberou R$ 1,28 bilhão em empréstimos nos primeiros sete dias de operação. Segundo dados fornecidos pela Dataprev ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), entre a sexta-feira (21) e a quinta-feira (27), foram firmados 193.744 contratos, com um valor médio de R$ 6.623,48 por trabalhador. A parcela média ficou em R$ 347,23, com prazo médio de 19 meses.

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“O grande volume de recursos em tão pouco tempo reflete a necessidade de crédito dos trabalhadores, que buscam alternativas mais acessíveis para substituir dívidas caras, como o crédito rotativo do cartão. Porém, é preciso cautela na escolha, avaliando bem as condições e esperando por mais ofertas de diferentes instituições financeiras”, afirmou o ministro em exercício, Francisco Macena.

O programa, que foi regulamentado pela Medida Provisória nº 1.292, está disponível apenas para trabalhadores com carteira assinada e microempreendedores individuais (MEIs), somando 47 milhões de pessoas. A linha de crédito oferece descontos diretos na folha de pagamento, o que garante taxas de juros mais baixas e reduz o risco de inadimplência.

Trabalhadores que já possuem empréstimos consignados poderão migrar para a nova linha de crédito a partir de 25 de abril, o que permitirá a troca por condições mais vantajosas. Caso o trabalhador desista do empréstimo, terá até sete dias corridos para devolver o valor integral. Além disso, o programa permite a portabilidade de dívidas com juros mais altos para opções com taxas mais baixas.

O modelo tem uma proposta de inclusão de 25 milhões de trabalhadores no crédito consignado privado nos próximos quatro anos, uma tentativa de ampliar o acesso à linha de crédito mais barata. No entanto, uma questão importante é que a margem consignável não pode ultrapassar 35% da renda do trabalhador.

O trabalhador pode acessar o novo crédito diretamente pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital), onde autoriza o uso de seus dados para obter as propostas de empréstimo. Em até 24 horas, ele recebe as ofertas e pode decidir qual escolher. As parcelas serão descontadas mensalmente na folha de pagamento, e o trabalhador pode acompanhar o pagamento pelo eSocial.

Em caso de demissão, o desconto será feito sobre as verbas rescisórias, observando o limite legal. Caso o trabalhador tenha saldo devedor, ele será cobrado no novo vínculo empregatício.

Embora o programa tenha sido promovido como uma solução para aliviar a pressão financeira dos trabalhadores, o governo Lula não deixa de ter uma agenda de controle sobre o sistema financeiro, impondo mais um tipo de intervenção nas relações de crédito. A ideia de ampliar o acesso ao crédito é positiva, mas, como já observado, o trabalhador deve proceder com cautela para evitar cair em novas armadilhas de endividamento.

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