Em carta a Moraes, Débora pede desculpas por "ato desprezível" e que "filhos choram todos os dias" - Claudio Dantas
Brasília, Sexta, 10 de julho de 2026
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Em carta a Moraes, Débora pede desculpas por “ato desprezível” e que “filhos choram todos os dias”

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Por Claudio Dantas

Débora Rodrigues, a cabeleireira presa por pintar de batom a frase “perdeu, mané” na estátua da Justiça, escreveu uma carta a Alexandre de Moraes, em outubro de 2024. No texto, ela pede desculpas pelo ato “desprezível”, diz que foi tomada pelo “calor do momento” e que nunca concordou com o “quebra quebra“. “Repudio o vandalismo, contudo, eu estava ali porque eu queria ser ouvida, queria maiores explicações sobre o resultado das eleições tão conturbadas de 2022”, diz, no texto, obtido em primeira mão por este site.

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Ela relata que, quando estava próxima da estátua, “um homem” que nunca havia visto antes, “começou a escrever a frase e pediu para que eu a terminasse, pois sua letra era ilegível”. “Talvez tenha me faltado malícia para rejeitar o ‘convite’, o que não justifica minha atitude. Me arrependo deste ato amargamente, pois causou separação entre eu e meus filhos (sic)”, diz. Débora explica ainda que não sabia da importância da estátua e nem que “representa a instituição do STF”, ou mesmo que “seu valor é de R$ 2 milhões”.

“Se eu soubesse, jamais teria a audácia de sequer encostar nela. Minha intenção não era ferir o Estado Democrático de Direito, pois sei que o mesmo consiste na base de uma nação”.

Na carta, de três páginas e escrita à mão, a cabeleireira diz que, neste período de reclusão, perdeu muito mais que a liberdade.

“Perdi a chance de ajudar o Rafinha na alfabetização, não o vi fazer a troca dos dentinhos de leite, perdi dois anos letivos dos meus filhos e momentos que nunca mais voltarão. Meus filhos estão sofrendo muito, choram todos os dias por minha ausência, passam por psicólogos a fim de ajudá-los a organizar os sentimentos. Um castigo e uma culpa que vou lamentar enquanto eu viver.”

Débora também diz que seu conhecimento sobre política é “raso ou nenhum”, e que tomou aversão: “Quero ficar o mais distante possível disso tudo”. “Entendi que quando somos tomados pelo entusiasmo e a cólera, podemos praticar atitudes que não contribuem em nada. O que fiz não me representa e nem transmite a mensagem que eu sonhei em tecer para os meus filhos. O que mais almejo é ter minha vida pacata e simples de volta e ao lado da minha família.”

A carta, que estava até hoje protegida pelo sigilo do processo, não sensibilizou o ministro, que a condenou a 14 anos de prisão, inclusive fixando sua pena acima do limite legal sob a alegação de que ela teria ocultado provas. No julgamento de hoje, o ministro Luiz Fux ressaltou que revisará a dosimetria do caso.

 

 

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