Tarcísio de Freitas subiu no trio elétrico de Jair Bolsonaro no último domingo para defender a anistia das vítimas do 8 de janeiro, presas e condenadas de forma sumária pelo Supremo Tribunal Federal. Foi aplaudido, mostrou que está do lado certo da história.
Será?
Durante a semana, Tarcísio não deu um pio sobre o discurso fantasioso de Hugo Motta, seu colega de partido e presidente da Câmara, para quem o Brasil vive no berço de uma democracia esplêndida, sem censura, sem presos políticos, sem exilados.
Durante a semana, Tarcísio não deu um pio sobre o discurso cauteloso de Marcos Pereira, o presidente do seu partido, para quem não é hora de falar de anistia enquanto o Supremo Tribunal Federal ainda não concluiu o julgamento de todos os presos do 8 de janeiro.
Durante esta sexta-feira, em vez de falar de Tereza Vale, que irrompeu o evento de mulheres do Republicanos para jogar na cara de Hugo Motta que seu filho vive exilado por causa de Alexandre de Moraes, Tarcísio preferiu dizer que o Brasil é referência eleitoral.
Segundo o governador, nosso país “veio se tornando referência em termos de velocidade, de apuração, de tecnologia“. “Muitos países têm que olhar para o Brasil e ver o que está sendo feito aqui.”
A cabeleireira Débora Rodrigues, que Moraes quer condenar a 14 anos de prisão por pintar a estátua da Justiça com um batom, também poderia dizer que “muitos países têm que olhar para o Brasil e ver o que está acontecendo aqui”.
A política, a gente sabe, requer uma boa dose de pragmatismo, de estratégia e sangue frio. Às vezes, é preciso colocar na gaveta alguns discursos e até certas bandeiras, para poder travar um diálogo com o outro lado. Pois, política é sobretudo negociação.
Em sua trajetória, um bom político deve manter a coerência, mostrar fidelidade e, sobretudo, boa vontade. Maus políticos rompem acordos, descumprem promessas, são capazes de tudo pelo poder.
Uma velha raposa da política brasileira disse certa vez que a política ama a traição, mas odeia o traidor. Tanto o político, como o eleitor.
