Com a maior bancada da Câmara dos Deputados, o PL garantiu as principais comissões da Casa. Ficou com Saúde, que controla quase R$ 5 bilhões em emendas, além de Agricultura e Segurança Pública. A vitória, porém, expôs as divisões internas do partido de Jair Bolsonaro.
Na quarta-feira (20), a disputa pelo comando da Comissão de Segurança Pública saiu dos bastidores e foi parar no plenário. Paulo Bilynskyj (SP) e Coronel Meira (PE) brigaram pelo cargo. A tensão foi tamanha que o líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (RJ), precisou intervir. “A pior coisa para um líder é arbitrar entre dois colegas de bancada. Peço que, nos minutos que nos restam, cheguem a um acordo, para não tomar aquela dura decisão bíblica de Salomão, em que ele teve que ameaçar partir um filho ao meio para saber de quem é a mãe”, disse, durante a sessão de instalação.
Depois da ameaça pública, Meira recuou, e Bilynskyj foi confirmado presidente do colegiado. Nos bastidores, ambos alegavam ter acordo para assumir o posto, o que gerou troca de acusações sobre interferência da cúpula do partido. A escolha de Bilynskyj, visto como mais “radical”, acendeu um sinal de alerta entre deputados que defendem manter diálogo institucional com o Ministério da Justiça de Ricardo Lewandowski. O antecessor na comissão, Alberto Fraga (PL-DF), conseguia manter a interlocução, mesmo como um dos principais nomes da direita na Casa. Meira, por sua vez, é tratado como um perfil menos combativo, mas segue fiel ao bolsonarismo.
Na Comissão de Agricultura, o PL também precisou conter a disputa interna. Após tirar o comando do colegiado das mãos do PP, o partido enfrentou um impasse entre Rodolfo Nogueira (MS) e Daniela Reinehr (SC). A solução só saiu minutos antes da votação.
