Domínio do crime organizado no Brasil evidencia falência do contrato social - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Domínio do crime organizado no Brasil evidencia falência do contrato social

Foto: Reprodução/YouTube @ClaudioDantasOficial

Compartilhe em

Foto do autor

Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

No programa ALive, apresentado pelo jornalista Claudio Dantas, o presidente do Instituto Mises Brasil, Helio Beltrão, e o cientista político especializado em economia ilícita, João Henrique Martins, discutiram nesta terça-feira (18) a expansão do crime organizado no Brasil e o impacto da omissão do Estado no combate à criminalidade.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Beltrão afirmou que o Brasil tem áreas totalmente dominadas pelo crime organizado, onde nem a polícia nem o governo entram. Ele mencionou o livro A Irmandade do Crime (2003) e citou o General Alberto Cardoso, ex-ministro do GSI no governo FHC, que já em 2000 alertava para um cenário próximo do “ponto de não retorno”.

Segundo ele, nos quatro mandatos do PT, “não foi feito nada, absolutamente nada” para combater o crime organizado. Destacou ainda que a influência criminosa se expandiu da política e da segurança para o setor econômico nos últimos anos.

“Hoje, com 23 anos de atraso, o PT diz que prioriza a segurança pública”, afirmou, apontando que, em ano eleitoral, Lula precisa apresentar soluções para a violência. No entanto, ele criticou o partido, dizendo que “o lulopetismo diz que prioriza, mas não sabe nem como abordar a questão, porque não tem vontade política de combater o crime, não gosta de polícia forte, fica naquela coisa de que os criminosos são vítimas da sociedade”.

Já Martins classificou o domínio territorial dos criminosos como “a falência do contrato social” e afirmou que “o crime sempre ocupa os espaços que o Estado permite que ele ocupe”. Para ele, trata-se de “uma atividade econômica e social, em tese, como outra qualquer”, explicando que “quando digo ‘em tese, como outra qualquer’, refiro-me à forma de obter renda a partir de lucro e salário”.

Ele destacou que essa visão permite entender tanto a busca dos criminosos pelo lucro a qualquer custo quanto o colapso do Estado na manutenção da ordem. “A sociedade moderna criou algo chamado Estado de Direito, a lei. Quando o Estado tem dificuldade de aplicar a lei, quando ele tem, na verdade, uma falência crônica e estrutural para fazer isso, naturalmente o crime organizado vai assumir essas posições, porque é a inversão do monopólio legal da força”, afirmou.

Martins concluiu que essa fragilidade do Estado favorece o avanço do crime. “Na medida em que o Estado tem uma dificuldade ou um bloqueio ideológico, quando, na verdade, não tem certeza se é isso que ele tem que fazer, ou quando ele flexibiliza ao longo do tempo, é um jogo de soma zero: para o crime ganhar, necessariamente, a sociedade tem que perder. E toda vez que a sociedade vacila nessa posição, o crime avança”.

ASSISTA AO PROGRAMA A LIVE DE HOJE:

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade