"Brutalidade, Incapacidade e Mediocridade" - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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“Brutalidade, Incapacidade e Mediocridade”

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Por Claudio Dantas

Se voltar ao Brasil como me disse em entrevista na segunda-feira, Eduardo Bolsonaro provavelmente terá seu passaporte apreendido, sofrerá busca e apreensão de seu celular para fishing expedition e acabará preso antes mesmo das convenções partidárias de 2026. Prender o filho 03 de Jair Bolsonaro parece um desejo antigo de Alexandre de Moraes, só não tão antigo quanto o de prender o próprio ex-presidente; quiçá, toda sua família.

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Se não o fez até agora foi por estratégia política. Acho que o ministro-mor esperava um cenário de enfraquecimento de Bolsonaro na opinião pública para jogá-lo na cadeia e esquecer a chave, como fez com seus seguidores e aliados. Mas o efeito da perseguição implacável contra o ex-presidente e a escassez de provas sobre os bárbaros crimes dos quais é acusado teve efeito inverso.

Bolsonaro virou vítima e toda vítima atrai empatia imediata, que, no caso dele, se traduz em milhões de votos. Eu mesmo fui um severo crítico de Bolsonaro quando presidente, especialmente pelas crises internas, normalmente geradas por problemas de comunicação. Essas crises dominavam o debate público, fazendo sombra a avanços importantes, como na economia. Esses avanços saltam aos olhos hoje diante do desastre esperado de Lula 3.

O efeito comparativo é imediato na cabeça e no bolso dos eleitores. Não sei o que Moraes esperava de Geraldo Alckmin como vice, mas o plano certamente não deu certo. Lula, como uma craca marítima agarrada ao poder, já mandou avisar que seu vice em 2026 será Eduardo Paes, o prefeitinho do PSD de Gilberto Kassab, que tenta manter Tarcísio de Freitas sob suas rédeas em São Paulo até 2030.

‘Quem sabe até lá o bolsonarismo morra’, diria um ministro do Supremo. Se esse possível plano de Moraes, Barroso, Dino, Zanin parecia perfeito, faltou combinar com os russos, com Donald Trump, Elon Musk e os chefões das big techs. O desespero está cada vez mais evidente.

Até o moderado José Eduardo Cardozo já decretou antecipadamente a perda do mandato de Eduardo por quebra de decoro. “Eu não posso ter um parlamentar indo para fora do país para articular, com autoridades de outro país, atingir autoridades no Brasil”, disse à CNN, sem lembrar que seu colega Paulo Pimenta esteve em Bruxelas, em 2019, fazendo o mesmo com parlamentares europeus.

O que dizer do decoro de Gleisi Hoffmann, a nova articuladora política de Lula, que deu até entrevista à Al Jazeera, na ocasião, para denunciar ao Oriente Médio a “prisão política” de painho.

Eu já falei antes sobre os neopatriotas globalistas, financiados de Soros à Usaid, e não quero me repetir, mas até o presidente da OAB, Beto Simonetti, resolveu sair da toca para defender a soberania nacional. Dias atrás, no Conselho Federal da Ordem, disse que somos “a Roma tropical de que nos falava Darcy Ribeiro” e, “por isso, não vamos permitir que diminuam este país que é gigante pela própria natureza”.

Acho que Darcy, o antropólogo que virou senador, um nacionalista de esquerda, pediria um aparte a Simonetti, para dizer-lhe que o Brasil é um “moinho de gente” humilde massacrada pela “brutalidade, incapacidade e mediocridade” de uma classe dominante, “que aqui o que faz é enricar, é ter vantagem para ela, é juntar, é gastar”. “A gente tem que dar um jeito nela”, diria, “para obrigá-la a aceitar que o Brasil realize suas potencialidades, de uma nova civilização”.

Porque, segundo Darcy Ribeiro, essa “classe dominante sempre se deu bem e continua se dando bem. Mas o povão está aí, com uma fome que é espantosa”.

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