O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nesta terça-feira (4) seu primeiro discurso do novo mandato no Congresso, sob aplausos de republicanos e protestos de democratas.
Em uma fala de 1 hora e 40 minutos, Trump destacou medidas adotadas nas primeiras semanas de governo, incluindo o avanço das deportações, a saída da OMS, a revogação de regulações ambientais e a mudança do nome do Golfo do México para Golfo da América. Ele também anunciou novas tarifas de importação e defendeu investimentos na indústria naval dos EUA.
O republicano tentou ainda aliviar tensões com Volodymyr Zelensky, citando uma carta do líder ucraniano sobre negociações para exploração de minerais raros. O aceno veio após o bate-boca entre os dois na última sexta-feira (28).
O discurso foi marcado por um tom combativo. Trump chamou Joe Biden de “pior presidente da história dos EUA” e atacou figuras do Partido Democrata, como Elizabeth Warren e Stacey Abrams.
O presidente retomou promessas polêmicas, como reassumir o controle do Canal do Panamá e anexar a Groenlândia. Também criticou as políticas de diversidade implementadas por governos anteriores.
“Nós acabamos com a tirania da chamada política de diversidade, equidade e inclusão de todo o governo federal. Nosso país não será mais ‘woke’ “, declarou.
O ambiente no Capitólio ficou tenso. O deputado democrata Al Green, do Texas, foi expulso do plenário após gritar contra Trump.
Trump elogiou Elon Musk, que estava presente no Congresso, e agradeceu seu trabalho à frente do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE). Sob comando do bilionário, a pasta reduziu funcionários federais e desmantelou agências governamentais, levantando questionamentos na Justiça.
O republicano ainda fez um aceno à exploração espacial:
“Vamos colocar a bandeira americana em Marte”, disse, sem detalhar planos concretos.
A política comercial protecionista também foi tema do discurso. Trump acusou países de explorarem os EUA com tarifas injustas e anunciou novas taxações a partir de abril.
“Nós fomos roubados por décadas por todos os países da face da Terra, e não vamos deixar isso acontecer mais.”
O Brasil foi citado diretamente como um dos que adotam práticas comerciais desleais.
“Em média, a União Europeia, China, Brasil, Índia, México, Canadá e inúmeras outras nações nos cobram tarifas muito mais altas do que cobramos deles, o que é extremamente injusto.”
Na segunda-feira (4), Trump já havia imposto uma taxa de importação de 25% para México e Canadá, com aplicação imediata. Agora, promete estender a política para todos os países.
“No dia 2 de abril, entram em vigor tarifas recíprocas, e qualquer tarifa que nos impuserem, nós também imporemos a eles… qualquer imposto que nos cobrarem, nós os taxaremos. Se usarem barreiras não monetárias para nos manter fora de seus mercados, então usaremos barreiras não monetárias para mantê-los fora do nosso mercado.”
